2008-01-27

A história da família Cambui, em Irecê - Parte I


Os membros da família Cambuí chegaram em Irecê vindos de São Domingos de Assuruá. Cambuí substituiu o sobrenome Pereira.

A família Cambuí, de Irecê, é proveniente de quatro “Cambuís” velhos que vieram da serra de Assuruá antigamente. Daqueles quatro, três chegaram em Caraíbas: Tertuliano Cambuí, Ludugero Cambuí e Canjo Cambuí. Um ficou em Ibipeba, na época conhecida por Lagoa do Bode.

A maior parte da família Cambuí reside em Minas Gerais.

A importância desta família é tão grande que até uma cidade leva este nome naquele estado.

Cambuí, a cidade, foi fundada em Minas, por José Pereira Cambuí.

Há uma interessante curiosidade acerca desta família que mudou de sobrenome, deixando de ser Souza Pereira, para se transformar no nome da plantinha cambuí, produtora de excelentes frutos para a medicina natural.

Em São Domingos, um lugar perto de Gentio do Ouro, um Souza Pereira casaria com uma moça de outra família, numa igreja feita por Tertuliano Cambuí.

Dezenas de cavalos e seus cavaleiros encheram a estrada empoeirada, rumo a São Domingos. Montados em selas de boi, conversavam animadamente rumo ao lugar. Estavam muito animados com o casamento e com a festa que viria depois.

O Souza Pereira não conseguia conter a excitação de se casar logo. A paixão imensa pela noiva despertava nele o desejo de ser olhado a todo momento pela amada.

Olhar para a amada hoje em dia é coisa comum, mas naquela época não. Os namoros aconteciam pela fechadura duma porta. Olhando pelo buraco, o rapaz observava a amada dentro de casa. O noivo só podia ver integralmente a noiva no dia do casamento. Antes disso, de jeito nenhum!

Se por acaso, perdendo o controle, olhassem um para o outro, tal gesto inconsequente poderia resultar em severos castigos para ambos, porque era considerado uma obscenidade.

Acontece que o Souza Pereira estava fora de si. O coração batia apressadamente, imaginando o momento do contato físico com sua amada. Sabendo que não poderia chamá-la para ser observado por ela, o noivo foi enchendo os bolsos da fruta Cambuí. Depois começou a jogar a frutinha em direção a noiva, errando muito, mas acertando bem mais.

Ela percebia as ousadias do noivo, mas não se atrevia a olhar para ele e repreendê-lo. O noivo, por outro lado, parecendo enfeitiçado, sequer percebeu que já era alvo dos olhares severos de dezenas de senhores.

Os pais da noiva, revoltados com a indescência, ameaçaram de morte o Souza Pereira, gritando aos brados:

- “Cambuí, Cambuí!!! Morreu Cambuí!”

Continua amanhã - parte II
Fonte:
(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes); O Aniversário de Irecê; Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral), publicado em Inglês e Português.
http://www.blogger.com/profile/07240295152840069557

Nenhum comentário:

Arquivo


Ocorreu um erro neste gadget