2007-10-22

Empreendedores de Irecê - Sandoval A. de Oliveira - Dodô do Prakasa (I)

Começou vendendo água, lenha e bode

Sandoval Avelino de Oliveira, popular Dodô, é um exemplo para muitas pessoas, não só pela sua capacidade empreendedora, mas também por sua forte determinação e fé. Enquanto outras pessoas não conseguem, se reerguer depois de uma forte queda, Dodô, mais de uma vez, recomeçou quase do zero, enfrentando todos os obstáculos e se saindo vitorioso.

Dodô nasceu em Gentio do Ouro, terra de Corino Vitório de Oliveira, seu pai, e de Arminda Avelino de Oliveira, sua mãe. Ali viveu uma vida padronizada, com poucos recursos financeiros, principalmente depois falência do comércio de seu pai, deixando-os em uma péssima situação financeira.

Depois do fracasso do primeiro comércio, Corino ainda teve ânimo para colocar outro, desta vez para a venda de gêneros alimentícios, mas não tinha vontade de trabalhar atrás de um balcão. Entregou aos filhos, Dodô e irmão, a responsabilidade de cuidar da empresa.
Aos 14 anos de idade, bastante jovem, portanto, Dodô começou a trabalhar, como vendedor de água, lenha e bode, em Gentio do Ouro. Cheio de energia e disposição para o trabalho, enfrentava as dificuldades do dia a dia e o cansaço advindo deste tipo de atividade, porque tinha um objetivo em mente: juntar algum dinheiro e conseguir ser alguém na vida.
“Comecei a trabalhar cedo, porque já tinha aquela vontade doida de ter as coisas. Queria trabalhar muito, para no futuro ter alguma coisa, pois para a pessoa ter alguma coisa na vida tem que tentar”.
Montava em um jumento e andava seis quilômetros, carregando quatro carotes de água, para o Sr. Turíbio Santos. Dois carotes deixava na casa de sua mãe e outros dois vendia, para pessoas de maior poder aquisitivo, entre as quais Isaías Silva, que posteriormente veio a ser seu empregado, em Xique-Xique, carregando água para ele nos períodos de seca.

Pouco tempo depois, além da água, lenha e bode, passou também a vender o leite que era tirado das vacas que seu pai criava.

Depois desta atividade, já no ano de 1952 até 1955, começou a freqüentar os garimpos, indo com uma capanga e um martelo, a fim de procurar algum cristal. Algumas vezes conseguia e vendia para seu irmão mais velho, obtendo algum lucro. Isso o deixava satisfeito, pois estava fazendo o que mais gostava: trabalhar.

Mas para trabalhar na profissão de capangueiro, nome mais conhecido, ou faiscador, nome mais correto, Dodô caminhava 9 quilômetros para chegar ao garimpo, na mina de Sinhorim e caminhava mais 9 quilômetros para voltar a sua casa. Ao todo, percorria 18 quilômetros todos os dias.

Com esta atividade de capangueiro, conseguiu juntar algum dinheiro e planejar negócios mais lucrativos.

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem : Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral)

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