2007-10-21

Empreendedores de Irecê - Paulo Freire (II)

(Continuação da postagem I)


Restaram-lhe apenas os móveis de dentro de casa e ele os vendeu e mudou-se para Brasília, no ano de 1987. Começou a trabalhar através de classificados, comprando produtos usados e trazendo para vender em Irecê. Chegando aqui, algumas pessoas lhe entregavam carro para ele vender em Brasília e depois pagar. Com os lucros destas operações, comprou dois lotes próximo ao Odete e construiu sua nova residência.

Teve a abençoada idéia de vender antena parabólica, suprindo uma grande deficiência no mercado, comercializando em um quartinho em sua casa. Posteriormente já com firma registrada, ganhou em 1992, o título de maior vendedor de antena parabólica da Bahia e o quarto colocado no Brasil, sendo então homenageado pela Santa Rita. A empresa começou a fornecer-lhe caminhões de antenas parabólicas, mesmo sem ele ter nenhum patrimônio ou garantia para cobrir o crédito.

Paulo prosperou bastante, vindo a possuir muito mais do que tinha antes, e os amigos reapareceram, assim como os convites para as festas. Um dia, ao chegar em casa, encontrou sua esposa bem arrumada, a qual disse-lhe que tinham recebido um convite para uma importante festa na cidade. E a mesma pessoa que o estava convidando, foi uma das primeiras a se afastar dele, em seu declínio financeiro. Fez então a mulher se desarrumar. Veio a sua mente a lembrança de um caso que seu avô, Filisbelino Miranda, costumava lhe contar. O caso se aplicava perfeitamente a ele, Paulo Freire:

Em certo lugar, um homem muito rico era sempre convidado para todas as festas e eventos importantes e sempre se fazia presente. E a sua presença sempre chamava a atenção dos presentes, pela beleza e luxo de seu terno, que se destacava de todos os demais. Logo que este homem chegava, as pessoas corriam e o abraçavam. Todos demonstravam amá-lo bastante.

Um dia este homem entrou em declínio financeiro, vindo a perder tudo que possuía. Então as amizades que tanto prezava, os amigos importantes que o convidavam para as festas, todos desapareceram. Já não era convidado para nada. Este homem entrou em estado de depressão, de isolamento, de angústia e de solidão. E o pai dele vendo aquele sentimento, aquela vida de desgosto e de amargura, disse-lhe: “Olha filho, não vale a pena viver deste jeito, é melhor acabar com a sua vida. Este conselho eu lhe dou.”

E o pai pegou um tamborete, subiu nele e amarrou um pacote em um caibro da casa, voltando a enfatizar: “não vale a pena viver deste jeito, isto não é vida, isto não é viver, você é um homem que está morto em pé.”

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