2007-10-28

Personagens folclóricos de Irecê - João Tôco (I)

No ano de 1904, nascia em Caraíbas, um cidadão que se tornou conhecido como João Tôco. Ele passou a vida inteira na roça, impossibilitado de freqüentar uma escola, embora desejasse muito.
Antes dele nascer, sua mãe, dona Maria, cortou o longo vestido, deixando-o curto ou Tôco. E este adjetivo "Tôco" foi inserido em seu nome e no nome de seus descendentes. Maria passou a ser Maria Tôca. E João, seu filho, passou a ser João Tôco.

Aos 15 anos de idade, João Tôco foi acometido por uma grave doença que o deixou com seqüelas irreversíveis, fobias e hábitos extravagantes.

Tomar banho, nem vê! Só quando é jogado embaixo do chuveiro, ou quando a chuva o surpreende no meio da rua.

Quando os amigos de João, já cansados de prosa, sentiam vontade de dormir, mas por cortesia não pediam a João para ir embora, diziam para ele que estava muito bonito para chover, que ia cair um aguaceiro capaz de afogar até sapo e mal terminavam de dizer estas palavras, João Tôco saia correndo.

Em 1935, dois amigos levaram João Tôco ao famoso médico Dr. Mário Dourado, que o atendeu gratuitamente e ficou muito surpreso com a quantidade de terra da roça, que João Tôco transportava embaixo de suas unhas. Dr. Mário, carinhosamente, tocando nos ombros de João disse-lhe:

“João, meu amigo, toma um banho bem tomado e limpa estas unhas”.

Mas João Tôco usando de sua calma de sempre, disse:

“Ô seu dotô, prá que tomar banho, se eu sou como tu”.

João Tôco é uma pessoa fascinante, um homem trabalhador, que divertia as pessoas, porque era diferente delas.

Durante longo tempo de sua vida, vestia um terno branco, bem gomadinho, com gravata e sapato, tudo na cor branca. Morava na Boa Vista. As pessoas diziam:

- João Tôco dance!

E João Tôco dançava.

- João Tôco cante!

E João Tôco cantava.

Mas uma das peculiaridade de João que sempre encantou as pessoas, talvez por haver um pouco de paranormalidade nisso era a leitura da carta da amada. João, embora analfabeto, quando recebia de uma pessoa um papel em branco, que lhe era dado como se fosse a carta de sua namorada, ele lia o papel em branco de uma forma impressionante, demonstrando seu grande poder de imaginação:

Continua na parte II

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(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral), publicado em Inglês e Português.

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