2007-11-04

Empreendedores de Irecê - Dr. José Domingos - Médico (II)

(Continuação do I)

O sertanejo que deu universidade a 7 filhos

Domingos Leandro, pai do Dr. José Domingos, foi um notável cidadão em Uibaí, não só pela sua honestidade, mas também pelo fato de, mesmo sendo um homem nascido no sertão, onde a luta pela sobrevivência é mais importante do que qualquer coisa, mesmo assim, conseguia enxergar o valor da educação, acima de tudo. (Na foto, ainda jovem com a então namorada Idalice)

Apesar de ter proporcionado estudo para tantos filhos, Domingos lamentava-se porque não pode realizar seu maior desejo que era estudar e se formar. O máximo que conseguiu, foi estudar onze meses com D. Cassimira que era professora particular. Estudou seis meses em uma “seca” e os cinco meses na outra, porque no “verde” ajudava o pai na roça.

Desejou estudar em Barreiras, no mesmo colégio onde estudou políticos famosos como Antônio Balbino e Josafá Marinho, mas a mãe não permitia que os filhos morassem longe dela. Por ser um católico, fiel às normas da igreja de respeitar pai e mãe, Domingos preferiu abandonar os sonhos e ficar perto da mãe.

Os anos passaram, e por volta de 1950, Domingos foi eleito vereador de Uibaí. Naquele tempo o governo estava promovendo a construção de prédios escolares em toda zona rural do país e coube a ele, como vereador, acompanhar a construção do primeiro prédio escolar de Uibaí.

O prédio tinha uma sala de aula, um pátio e um apartamento para a professora, mas não tinha a professora. Isso acontecia, porque Uibaí era vila de Xique-Xique e ninguém daquela cidade queria vir morar na vila. Os que vinham acabavam adoecendo de saudade, pois o retorno era difícil, por causa das dificuldades para se conseguir transporte, bem como das péssimas estradas.

O tempo passou e as dificuldades para conseguir professores foram acabando. Muitas filhas do município de Uibaí começaram a se formar em escolas importantes como o colégio Santa Eufrásia, em Barra do Rio Grande e o colégio evangélico em Ponte Nova, hoje Vagner e retornaram para a terra natal. Entre elas, Dona Aurelina, Anete, Corália, Hélia, Gildete...

Domingos foi um dos grandes incentivadores para que as pessoas de Uibaí retornassem para sua terra depois de formadas. Para ele, “Só filho da terra sabe dá valor a própria terra. O de fora fica algum tempo, depois retorna às suas origens”.

Domingos não conseguiu estudar fora por imposição da mãe, mas trabalhou bastante em prol dos filhos e da esposa. Fazia um grande esforço para dar condições aos seus filhos de estudar o que quisessem, não importava a distância.

Todo este empenho de homem sertanejo, que não mediu esforços para dar um diploma universitário aos filhos, tinha admiração no seu xará, Domingos Milheiro, mais conhecido como Domingos Português, esposo da professora Anete Machado.

Coincidência ou não, todos os filhos de Domingos Leandro Machado fizeram científico no mesmo – Colégio Estadual da Bahia – e se formaram na mesma universidade – Universidade Federal da Bahia, cabendo a cada um escolher a profissão que queria ter: Dr. José Domingos Machado (médico); Dr. Renato D. Machado (Médico); Dr.Fernando D. Machado (Engenheiro Mecânico); Dra. Maria do Carmo Machado Rossi (Engenheira Civil); Dr. Vilmar D. Machado (Médico); Dra. Maria Lúcia Machado (Psicóloga); Dr. Pedro D. Machado (Odontólogo) .

Mas para formar tantos filhos, primeiro era preciso Domingos Leandro tê-los, e para tê-los era preciso que ele casasse e para casar deu um enorme trabalho a sua noiva Idalice.

Começou então a influência dos médicos na família. Um médico de Xique-Xique, que trabalhava em Belo Horizonte como otorrinolaringologista e retornou para o sertão, porque sua esposa Dona Darzinha tinha adoecido e estava precisando de um lugar de clima bom para recuperar, escolheu Uibaí. O casal ficou hospedado na casa de Domingos, que na época era solteirão.

Durante as prosas, o médico e sua esposa diziam: “Mas Domingos Leandro, um rapaz na idade do Senhor, com 32 anos, não ter encontrado uma moça que lhe agradasse para casar!”.

Ele então lhes disse: “Já encontrei, sim”.

É que poucos dias antes, tinha conhecido, em sua loja, uma jovem bonita chamada Idalice, que estava acompanhada de uma tia, comprando um enxoval para casamento.

Gostando da jovem desde o primeiro instante em que a viu, e ao mesmo tempo receando que o enxoval fosse para seu casamento, Domingos aproximou-se da tia dela e perguntou-lhe se aquele enxoval era para a moça. A tia respondeu que não, deixando-o bastante aliviado.

Os dois começaram a namorar, mas ele era muito descansado em relação a casamento. Acontece que sua noiva, Idalice, era uma mulher determinada, e não estava disposta a esperar muito tempo por um casamento. Disse para ele: “Ou a gente casa ou a gente separa de uma vez por todas”.

Como Domingos Leandro a amava muito, preferiu casar logo a perdê-la. Casaram e viveram felizes, enquanto durou a vida dele.

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