2007-11-05

Empreendedores de Irecê - Dr. José Domingos - Médico (III)

(continuação de II)
As difíceis viagens no tempo de estudante


As distâncias se encurtaram bastante nos dias de hoje, por causa do asfalto, mas na época em que José Domingos estudava na capital, as estradas pareciam intermináveis.
Para se ter uma idéia, se as aulas dele terminassem em uma segunda-feira, só poderia voltar para Uibaí numa sexta-feira, porque se chegasse na terça-feira em Irecê ou Central, não encontraria transporte para Uibaí.

Dr. José Domingos na infância, primeira comunhão

Por conta disso, saía de Salvador na sexta-feira, às 5 horas da manhã e quando chegava em Feira de Santana trocava de ônibus. A empresa substituía o ônibus, porque até Feira a estrada era boa, mas até Irecê e Uibaí, era péssima. E depois de uma longa viagem cansativa, chegava a Central às 22 horas.

Dormia em Central e esperava até o meio-dia de Sábado, quando acabava a feira. Viajava para Uibaí, numa carona em uma rural, oferecida pelo amigo Manoel Joalheiro, casado com sua prima carnal, que participava da feira de Central, vendendo jóias.

“O progresso é uma lei natural. É também uma lei de Deus. Ninguém detém o progresso. Ele vem ou pelo amor ou pela dor”.

E o progresso veio, pois as estradas de cascalho, chamadas de Federais, foram substituídas pelas de asfalto, permitindo deste modo maior velocidade aos meios de transporte, encurtando as distâncias.

Dr. José Domingos lembra que o transporte terrestre melhorou bastante, mas o aéreo piorou, pois quando estudava em Xique-Xique, um avião da Varig descia toda semana naquela localidade. Hoje isso já não acontece.

Mas o nordestino, na sua opinião, já é acostumado a passar por dificuldades, desde a época em que os europeus chegaram aqui, passando pelo Nordeste, região do Brasil que está mais próxima da Europa. Por causa das dificuldades, as pessoas foram abandonando o sertão. Um exemplo disso é o atual presidente, o Lula, que não agüentando o sertão foi para São Paulo.

Atualmente pode-se dizer que as coisas melhoraram em relação às mais antigas, mas, segundo o psiquiatra, apesar da eletricidade, do asfalto, do rádio e do telefone, precisamos, aqui em Irecê, de uma linha de aviação. Neste ponto não progredimos, regredimos e muito.

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(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral), publicado em Inglês e Português.

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