2007-12-05

História do Catolecismo em Irecê - trocaram o padroeiro rico por um pobre (I)

Praça Municipal de Irecê - ano de 1942

Muita gente pensa que o São Domingos que existe atualmente em Irecê é o mesmo que foi doado por Tertuliano Cambuí.

Na realidade, o São Domingos original era muito rico e o atual é muito pobre. O que foi doado pelo Capitão Tertu tinha coroa, bota e bengala de ouro.

A bengala tinha um cumprimento de cerca de cinqüenta centímetros, tudo isso construído na época do império.

O São Domingos original veio da Igreja de São Domingos de Assuruá. Havia tanto ouro naquele lugar que as pessoas pegavam machados para cortá-lo.

Lá , os filões de ouro podiam ser percebidos pelas pessoas, quando andavam pelas ruas. Era uma época em que este metal não era tão precioso quanto hoje em dia.

Durante os períodos de chuva, os meninos corriam para as ruas. Sua diversão consistia em pegar, na enxurrada, as muitas pepitas de ouro, enchendo os bolsos. Pegavam apenas porque as achavam bonitas, não porque tivesse algum valor para eles.

A família Cambui, era uma das mais ricas de Assuruá. Possuia riquezas em fazendas, gado e incalculável quantidade de ouro. Pegou parte deste metal e mandou fazer uma bengala, uma bota e uma coroa de ouro para São Domingos.

Anos depois, o ouro passou a ter mais valor. As pessoas de Irecê e outras localidades olhavam para São Domingos e se encantavam com a beleza de suas riquezas. Quanto valia aquela comprida bengala de ouro? E as botas? E a coroa?

Houve uma época em que uma seca terrível ocorreu nesse sertão. Todos procuravam uma razão para seca. Uns diziam que era por causa da “língua grande das mulheres fuxiqueiras.” Outros diziam que era por causa dos homens que saíam de suas casas e iam adulterar com a mulher dos outros companheiros. Mas alguns espertinhos disseram que o culpado pela seca era São Domingos.

O padroeiro da cidade precisava viajar para Salvador e lá ser benzido pelos mais santos homens da igreja católica. Se assim não acontecesse, a chuva continuaria ausente, o sofrimento aumentaria e muitos poderiam morrer.

Dias depois, São Domingos foi levado para “a Bahia” (nome usado para indicar que se estava indo a Salvador). Acontece que não mais o queriam de volta na cidade, exceto algumas coisas que ele possuía, como por exemplo a bengala de ouro, a coroa de ouro e as botas de ouro.

(Continua na parte II)

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes); O Aniversário de Irecê; Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral), publicado em Inglês e Português.

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