2008-02-05

Trio elétrico baiano foi inspirado no frevo pernambucano


Em sua matéria publicada na Agência Brasil o jornalista Morilo Carvalho dá uma nova explicação para o surgimento do trio elétrico baiano que durante os períodos de carnaval atrai centenas de pessoas do interior da Bahia, Brasil e mundo.

Asim escreveu ele:

As tesourinhas, ferrolhos, parafusos e dobradiças – passos do frevo, como conhecidos atualmente – surgiram da rivalidade entre os clubes de “fervura”, de rua, que agrupavam pessoas nas ladeiras de Recife no final do século 19. É neste contexto que surge o frevo, ritmo que hoje contagia milhares de foliões no carnaval.

Os detalhes são da pesquisadora, etnógrafa e folclorista Cláudia Lima, que já escreveu um livro sobre o frevo e, em entrevista ao programa Cotidiano, da Rádio Nacional AM, informou que a dança e o ritmo surgiram do misto de banda marcial com os capoeiristas, que iam à frente dos clubes de rua. E que os guarda-chuvas eram usados na época por influência dos costumes europeus, tornando-se armas para as disputas.

A tradição pernambucana também recebeu influências das marchinhas cariocas, na década de 20. “No Rio de Janeiro, começavam as marchinhas, e em Pernambuco era o frevo com letra, que mais tarde passou a ser conhecido como frevo-canção”, contou a pesquisadora.

Além de receber influência fluminense, o frevo também influenciou o surgimento de outras tradições. Segundo ela, o trio elétrico baiano nasceu com a passagem de um clube pernambucano por Salvador, na década de 1950. “O Vassourinha foi convidado a se apresentar e os integrantes foram de navio. Fizeram uma parada em Salvador, onde se apresentariam, mas estavam sem orquestra – eram só os personagens. Neste momento Dodô e Osmar se ofereceram para acompanhar o desfile e foi quando surge o trio elétrico”, detalhou.

Dodô (Adolfo Nascimento) e Osmar Nascimento ficaram conhecidos como os criadores do trio elétrico – que, por meio de adaptações, deu origem ao que ficou conhecido como carnaval baiano. Este ponto da história do frevo, ressalvou Cláudia, é polêmico.

“Sabe-se que o baiano é bairrista, mas essa é a verdadeira história do Clube Vassourinha e foi assim que o trio elétrico surgiu, puxando os vassourinhas”, defendeu.

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