2008-04-04

Bahia logo será o terceiro maior produtor de ferro do Brasil

O escoamento da produção da jazida de ferro da região de Caetité, distante 757 quilômetros de Salvador, é um dos projetos-âncora do Complexo Portuário Porto Sul, que será construído na área da Ponta da Tulha, em Ilhéus.

Com investimento de US$ 1,6 bilhão e explorada pela Bahia Mineração Ltda, a mina vai possibilitar a extração de 25 milhões de toneladas de ferro por ano, o que levará a Bahia ao posto de terceiro maior produtor de minério de ferro do país, ao lado de Carajás, no Pará, e do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais.

O superintendente de Comércio e Serviços da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração do Estado (Sicm), Antônio Celso Pereira Filho, afirma que o projeto prevê a instalação, até o ano de 2010, na região de Caetité, de uma das mais modernas mineradoras de ferro do mundo – um complexo composto de mina, unidade de concentração de minério, minerioduto e adutora de abastecimento de água, utilizada para o escorrimento do minério concentrado nos dutos.

Nos estágios iniciais de estruturação do projeto há o processo de mineração e beneficiamento do minério e a construção de um minerioduto de 400 quilômetros, que conduzirá o ferro concentrado (transformado numa espécie de polpa) até o novo porto, também integrante do sistema.

Segundo o superintendente, a jazida de minério de ferro já era conhecida, mas passou a ser explorada a partir do aumento do valor da commodity, causado, principalmente, pela grande demanda de países como China e Índia. O principal destino de exportações da Bahia Mineração é mesmo o mercado asiático, mas o protocolo de intenções assinado entre a empresa e o Governo do Estado, em março de 2007, prevê que, se houver igualdade de preço para a venda do mineral para clientes nacionais ou estrangeiros, a prioridade será dada ao mercado interno.

Porto Sul

O novo complexo portuário tornará viável a exportação do minério de ferro da grande jazida de Caetité. A área total que será concedida à Bahia Mineração, no Porto Sul, tem previsão ideal de 498 hectares, demarcados no limite norte da Poligonal, no extremo oposto ao Aeroporto Internacional de Ilhéus – um dos braços do sistema intermodal de transporte, que inclui também a Ferrovia Oeste-Leste, hidrovia e rodovia. A ferrovia também convergirá para o novo porto de Ilhéus, fazendo a ligação deste município com os estados de Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Distrito Federal. O investimento total do projeto é da ordem de R$ 4 bilhões.

A estimativa é que os três blocos principais de ferro já detectados na região têm reservas de quase 4 bilhões de toneladas. Além do ferro do Caitité, volumes potenciais de outros jazimentos minerais espalhados pelo território baiano – uma área que estende-se por parte do sudoeste até o município de Xique Xique, no Vale do São Francisco – terão como ponto de embarque para exportação, o Porto Sul.

O complexo portuário, integrado ao sistema intermodal de transporte, fará da Bahia mais um corredor de comércio exterior do Brasil, agilizando o escoamento de minérios, grãos e cargas conteinerizadas. Pereira Filho enfatiza que o projeto é de grande importância para o desenvolvimento sócio-econômico do sul do estado, com previsão de gerar de 8 a 10 mil empregos na primeira fase de implantação.

Além de solucionar o problema de gargalo dos portos da Bahia, o Porto Sul será ainda ponto de apoio para outros estados que estejam com saída de portos comprometidos, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo.

Outra meta significativa é criar mecanismos de atração de importações para o novo complexo portuário, por meio de programa específico de incentivos fiscais, e da instalação de grande terminal de conteiners – equipamento necessário para se operar as cargas com real valor agregado na corrente de comércio exterior.

A escolha da Ponta da Tulha para a implantação do complexo portuário resultou de um amplo estudo que levou em conta desde o início as questões ambiental e social. A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e o Centro de Recursos Ambientais, participaram, junto com as secretarias da Indústria, Comércio e Mineração, Planejamento, Infra-estrutura e a Casa Civil, dos processos de pesquisa, priorizando o distanciamento e a preservação de áreas de proteção ambiental.

Além disso, o Porto Sul será “off shore”, com as embarcações atracando a 3 quilômetros da praia, evitando danos para o ecossistema local. As profundidades naturais são excelentes nesse sítio, chegando a 19 metros a 2,7 quilômetros da praia, com fundo rochoso livre de assoreamento.

Nas áreas operacionais imediatamente contíguas à ponte, haverá sempre a formação de cinturões verdes com espécies nativas dos biomas e de mata atlântica ao redor de cada construção.

ias/is

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