2008-05-07

Biodiesel emprega 40 mil famílias de agricultores baianos na Bahia

Emprego e renda para 40 mil famílias de agricultores baianos. Esta é uma das transformações sociais que a produção do biodiesel trará para a Bahia até o final do ano. Fruto de ações articuladas de acesso ao crédito, assistência técnica e estímulo ao cooperativismo, o governo estadual, em parceria com usinas e bancos, planeja tornar a Bahia um grande exportador de biocombustíveis.

Para animar os investidores em potencial, dados da Comissão Executiva do Programa Estadual de Produção de Biocombustível (BahiaBio) indicam que a Bahia reúne, entre todos os estados, as melhores condições para implantar projetos de bioenergia. Além de dispor de uma área superior a 10 milhões de hectares, culturas como a mamoneira e o girassol podem ser produzidas no semi-árido e nos cerrados do oeste baiano.

O secretário estadual do Planejamento, Ronald Lobato, destacou um cenário ainda mais promissor a partir da integração da Bahia com a economia nacional e global, por meio do investimento de quase R$ 20 bilhões, até 2010, em infra-estrutura e logística. “O biodiesel é considerado um tema estratégico pelo governo estadual e a contribuição do planejamento para a superação das desigualdades passa por criar condições favoráveis para novos investimentos”, disse.

Quem aponta novos negócios para a Bahia é a Petrobras. Segundo o gerente de Implantação do Projeto Biodiesel Candeias, George Dias, a usina localizada na Região Metropolitana de Salvador (RMS) está orçada em R$ 78 milhões e deve produzir 57 milhões de litros de biocombustível ao ano. Outra boa notícia é o consumo de 50% dos suprimentos de mamona, girassol e dendê da usina oriundos da agricultura familiar.

Para viabilizar essa inserção, um convênio de R$ 3,5 milhões entre a Petrobras e o governo estadual assegura o fornecimento de sementes certificadas, cursos de capacitação e fomento à produção, armazenamento e distribuição das próprias sementes.

Dias afirmou que este acordo prevê a inclusão direta de 20 mil famílias, com o aditivo de mais 20 mil famílias, e estimula a organização dos agricultores em cooperativas para agregar valor ao produto. “Organizados em cooperativas, os produtores familiares poderão adquirir máquinas esmagadoras para processar os grãos ou fazer parceria com empresas. Desse modo, poderão aproveitar os co-produtos do processo de esmagamento, como a torta, que possui valor de mercado como adubo ou ração animal”, explicou.

Perspectivas

Na opinião do superintendente de Políticas do Agronegócio da Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri), Eujácio Simões, para a Bahia alcançar a meta de 773 mil metros cúbicos de biodiesel em oito anos, é preciso reverter alguns cenários. “Hoje, exportamos cerca de 700 mil toneladas de caroço de algodão do oeste para outros estados, mas poderíamos transformá-las em óleo para abastecer o mercado baiano e exportar”, declarou.

As medidas, entretanto, disse o superintendente, precisam ser aceleradas, “pois o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) anunciou para julho deste ano a elevação do índice de adição de biodiesel ao diesel de 2 para 3% (mistura B3), o que representará um aumento de 50% na demanda compulsória de biodiesel”.

Com a forte tendência de crescimento do setor, há indícios de que o CNPE antecipe a meta de adição mínima, de 5%, de 2013 para 2011. “Essa medida aqueceria ainda mais a economia baiana, com a necessidade de oferta de crédito para a cadeia produtiva do biodiesel, especialmente para o pequeno produtor”, informou Simões.

O coordenador do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) do Banco do Nordeste na Bahia, José Herculano, observou que a instituição está atenta e prevê aumentos gradativos do crédito. “Este ano, reservamos R$ 200 milhões para apoiar a agricultura familiar no estado e em 2009 a expectativa é ampliar para até R$ 230 milhões”, ressaltou.

pas/om

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