2008-05-19

Produção mineral da Bahia deve duplicar

O setor mineral ganha destaque e já se revela um dos pilares da economia nacional, e a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), responsável por identificar e repassar à iniciativa privada o direito ao aproveitamento econômico das jazidas descobertas, está prestes a alcançar sua auto-sustentabilidade.

As oportunidades minerais reveladas e disponibilizadas pela CBPM aos investidores do setor, através de processo de concorrência pública, garantem a trajetória de elevação no valor da produção baiana.

Em 2007, o setor acresceu à economia do estado R$ 1,2 bilhão. Em 2009, com o início das atividades dos projetos Santa Rita, maior jazida de níquel sulfetado do Brasil, e Ouro Maria Preta, a CBPM alcançará a auto-sustentabilidade. Os empreendimentos ficam nos municípios de Itagibá e Santa Luz, respectivamente.

“A CBPM transferiu para a iniciativa privada, por meio de licitação, as jazidas descobertas, como o níquel de Itagibá, o vanádio de Maracás, a bentonita de Vitória da Conquista e o ouro de Santa Luz. Esses projetos mínero-industriais estão em fase de implantação. Quando atingirem plena produção, entre a metade de 2009 e o início de 2010, vão gerar receitas que irão duplicar o valor da produção mineral do estado”, afirmou o presidente da empresa, Nilton Silva Filho.

Conduzida pela Mirabela Mineração Ltda., subsidiária da australiana Mirabela Nickel, a produção de níquel sulfetado, em Itagibá, recebeu investimentos de R$ 700 milhões. A geração de recursos por meio do Imposto sobre Serviço (ISS) para o município, do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o governo estadual e para a CBPM, através da Compensação Financeira pela Extração de Recursos Minerais (CFEM), reflete o bom momento econômico. Só em royalties, a CBPM arrecadará cerca de R$ 8 milhões mensais.

Da CFEM, o município de Itagibá arrecadará 65% e o Estado, 23%. Já o ouro da mina Maria Preta, empreendimento conduzido pela Mineração Fazenda Brasileiro S.A., do Grupo Yamana Resorces Inc, do Canadá, receberá investimentos de US$ 51,1 milhões, devendo gerar US$ 2 milhões em royalties (2% da receita bruta anual).

Outros projetos e pesquisas que compõem o patrimônio da CBPM e estão em andamento também constituem oportunidades de investimento em empreendimentos produtivos, a exemplo do Ferro do Norte, do Ferro-titânio e Vanádio, em Campo Alegre de Lourdes, do Ferro, em Campo Largo, do Zinco, em Irecê e Mundo Novo, do Cobre, em Riacho Seco, da Areia Silicosa de Alta Pureza, em Santa Maria Eterna, da Barita, em Contendas do Sincorá, da Cianita, em Anagé, do Fosfato Primário, em Irecê, além de jazidas de granito ornamental e jazidas de argilas cerâmicas.

R$ 12 milhões em pesquisa

A CBPM vai investir este ano R$ 12 milhões em pesquisa e desenvolvimento. O objetivo, segundo a empresa, é aproveitar o momento positivo pelo qual vem passando o setor mineral em todo o mundo. Nilton Silva Filho destacou que a iniciativa faz parte de uma nova estratégia adotada para atrair recursos e gerar negócios promissores no estado.

“Com a chegada do novo governo, foi realizada uma reavaliação das oportunidades minerais que a Bahia possui. Decidimos agir com mais agressividade, disponibilizando para o investidor do setor as oportunidades identificadas. Em um ano, colocamos em processo de licitação, via concorrência pública, 25 empreendimentos minerais”, disse o presidente da CBPM.

A Bahia é um dos estados mais bem estudados e conhecidos geologicamente do país, com 38,5% do seu território (217 mil quilômetros quadrados) coberto através de levantamentos aerogeofísicos. Em julho deste ano, outros 12.964 quilômetros quadrados serão recobertos. O uso dessa tecnologia representa a diminuição de riscos para o investidor e confere maior segurança às informações oferecidas para o desenvolvimento dos projetos.

Os programas de levantamento aerogeofísico realizados pela CBPM desde 1975 totalizam 523 mil quilômetros de linhas de vôo em 30 áreas potenciais do território baiano. Agilidade nos processos de identificação e seleção de novas áreas para pesquisa mineral, além da redução dos custos das pesquisas subseqüentes, são alguns dos resultados alcançados pela empreitada.

As jazidas privatizadas recentemente pela empresa geraram investimentos de R$ 600 milhões nos empreendimentos mínero-industriais voltados para lavra e beneficiamento do ouro de Santa Luz, da bentonita de Vitória da Conquista e do níquel de Itagibá. Estima-se que esses três projetos injetem uma receita bruta de US$ 800 milhões na economia baiana, até o final de 2009.

“A CBPM continuará investindo em pesquisas geológicas básicas, como mapeamentos geológicos e levantamentos aerogeofísicos. Há uma crescente demanda da mineração. Apostamos que esse momento vai durar. As jazidas descobertas pela empresa e transferidas para o setor privado são evidências dessa perspectiva. Quando elas atingirem a sua plena capacidade de produção, vão gerar receitas que dobrarão o valor da produção mineral da Bahia”, afirmou Silva Filho.

ias/om

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