2008-07-20

Sítios arqueológicos em Paulo Afonso viram museu a céu aberto

Mais de 100 sítios arqueológicos da região do cânion do São Francisco, em Paulo Afonso, com pinturas rupestres datadas de 9 mil anos, vão ser protegidos pelo Museu a Céu Aberto de Artes Rupestres, criado em parceria pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

O projeto do museu vai ser apresentado à comunidade e autoridades quinta-feira (17), às 15h, na Uneb, em Paulo Afonso, durante o evento em comemoração pelo cinqüentenário do município.

As artes rupestres, sinais e figuras pintados pelos homens primitivos em rochas e paredes de cavernas, estão gravadas em rochedos graníticos do sertão baiano. “Desde 1950, são alvo da ação da população, que quebrava o granito para a produção e venda de paralelepípedo e brita, destruindo nossa memória, sem nem ao menos conhecê-la”, disse o diretor do Departamento de Educação do Campus VIII da Uneb, Juracy Marques.

Além de barrar a destruição do acervo, a iniciativa visa implantar atividades turísticas no local, garantindo renda para a comunidade, que antes sobrevivia da extração do minério. A proposta é instalar, inicialmente, 10 passarelas em diferentes áreas-piloto, a fim de que visitantes e pesquisadores tenham acesso aos sítios, preservando as gravuras.

As passarelas serão de madeira certificada, um padrão exigido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Aos visitantes será cobrada uma pequena taxa para garantir renda à comunidade”, explicou Marques. Ele disse ainda que a extração de granito está paralisada devido a uma ação do Ministério Público Federal.

Memória cultural

Grafismos puros, que lembram sinais geométricos como círculos, semicírculos, linhas paralelas e entrecruzadas, representam a relevância histórica dos sítios, segundo Cleonice Vergne, arqueóloga do Centro de Arqueologia e Antropologia de Paulo Afonso (Caapa/Uneb). “Na região, não há incidência de figuras reconhecíveis em uma área ampla. O próximo passo é descobrir por que nesse espaço há a preferência apenas pelo grafismo puro”, disse.

Para ela, a construção do museu permitirá também o acesso das pessoas a um pouco da história tradicional do Nordeste. “Nossa proposta é dar à sociedade um retorno, para que ela se aproprie do seu patrimônio”, afirmou. Haverá ações educativas para crianças, jovens e adultos da região, sobre a herança de negros quilombolas, homens pré-históricos do Baixo São Francisco e de comunidades de fundo de pasto.

“Estas são provas documentais da presença humana pré-colonial que permitem estudar a identidade brasileira dos que viveram em nosso território há pelo menos 9 mil anos”, destacou Marques. Ainda segundo ele, cerca de 50 sítios foram completamente destruídos. As principais localidades de ocorrência são os povoados de Rio do Sal, Lagoas das Pedras, Mão Direita e Malhada Grande.


mas/om

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