2007-10-20

Empreendedores de Irecê - A História de Paulo Freire (I)

Aos sete anos de idade, veio para Irecê em companhia do avô Filisbelino Miranda, a fim de estudar bastante. Os pais esperavam realizar neste menino, tudo aquilo que não conseguiram na vida, em termos de estudo. Matriculado no Colégio Antonio Carlos Magalhães, iniciou o aprendizado das primeiras letras. Assim começou a história do bem sucedido empresário e pastor evangélico Paulo Edson Freire.

Filho de pais que conseguiram prosperar bastante na vida a custa de muito esforço, logo o menino via seu pai entregar-se a boêmia. Tudo que tinha economizado começou a gastar com mulheres e cachaça. Não demorou muito e vieram as dificuldades.

Aos dez anos de idade, época em que outros meninos brincavam, Paulo já montava em lombo de animais, que puxavam capinadeira, na roça de Esperdião, a fim de ganhar algum dinheiro para ajudar nas despesas da família. Pouco tempo depois passava a vender algodão doce, picolé e a enrolar quebra-queixo. Com o dinheiro ganho, comprou uma caixa de limpar sapatos de um pé só, mas como sempre foi um sonhador, queria prosperar. Às vezes passando necessidade, conseguiu juntar algum dinheiro, comprou uma caixa de dois pés, e assim podia limpar, mais fácil e rapidamente os sapatos das pessoas. Prosperando mais ainda nesta atividade, dedicou-se também a consertar sapatos danificados, remendando e repondo solados, tendo para isso, adquirido um pé-de-ferro. Ficou nesta profissão até os treze anos de idade.

Logo em seguida foi trabalhar com Renato na Loja da Economia, inicialmente levando pedido de compras para o depósito e posteriormente como vendedor. Assim foi até os quinze anos de idade, quando passou em um concurso para menor estagiário no Banco do Brasil. Ao ser chamado para este trabalho, recusou.

Aos dezessete anos, recebeu convite de Antonio, do Moinho Pop, a quem considera “um pai que lhe deu oportunidade” para gerenciar sua empresa e ali ficou quase sete anos, só saindo quando montou uma firma chamada Cerealista Freire.

Aos vinte e três anos de idade já era um jovem próspero, beneficiado pelos juros do Plano Cruzado e por uma boa safra de feijão. Os produtores vendiam a ele centenas de sacas de feijão e deixavam para receber o dinheiro até sessenta dias após.

Do mesmo modo que prosperou rapidamente, misteriosamente viu tudo desandar. De uma hora para outra, perdeu tudo que conquistara com muito trabalho e sacrifício. Teve que desfazer de todo seu patrimônio, casas, terras e carro, para pagar aos credores.
“Eu me frustrei e me revoltei com tudo e com todos. Eu me revoltei comigo, com a vida e com Deus. Por que isso? Porque quando estava numa situação tranqüila, com estabilidade financeira a minha casa era muito visitada, gerentes de bancos estavam sempre presente, muitos amigos, muitos convites. Quando perdi meu patrimônio fui abandonado por tudo e por todos. Cheguei ao ponto de colocar uma arma no ouvido disposto a me matar, pois sempre achei que o dinheiro comprava prazer, que o dinheiro comprava tudo.”

Paulo sentia um enorme complexo de inferioridade, quando deixou de ser convidado para as festas, para os eventos sociais importantes. Angustiava-se bastante, quando se encontrava em um pá, e percebia as pessoas rindo em um canto. Interpretava aquele riso, imaginando-as dizendo, enquanto riam, olhando para ele: “olha, está ali acabado, falido”. O mesmo acontecia, quando chegava ao banco e o gerente, que antes o convidava para tomar cafezinho em sua sala, simplesmente virava as costas para ele e saia pela tangente.

Certa vez, desesperado, pensou em cometer suicídio. Pegou a arma e apontou para a cabeça, mas lembrou que sua esposa não estava em casa. Havia apenas ele e sua filha, a qual poderia vir a ser acusada injustamente. Desistiu deste ato insano. Pensou:
“O Deus que me deu, ele tirou e creio que sou jovem e posso conseguir de novo. Assim como lutei para chegar aqui e perdi, creio que era algo que Deus queria me ensinar. Vou começar tudo de novo, e não terei vergonha de serviço humilde.”

(continua)

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes)

História de Irecê - Casos (I)

Em Irecê havia também um senhor muito culto, destes que já leu todos os tipos de livros, principalmente aqueles que mostram a inexistência de Deus ou pelo menos que esculhambam com Ele. Para esta pessoa, Deus era a lama que se encontrava nas ruas, era a bosta do animal porco, era a flor que se murchava logo, era o urubu encorujado nos telhados das casas, era um toco ardendo em fogo, transformando-se em cinzas. Em outras horas, Deus não era nada disso, Deus sequer existia.

Mas ele gostava muito de se exibir, mostrando para todos que o Deus que os outros diziam existir, não existia, não passava de uma ficção.

Certo dia mandou construir um enorme tanque de cimento, com capacidade para quase cem mil litros de água. A obra causava admiração em todos que a observavam.

O grandioso senhor, convidou muitos para irem a sua fazenda num dia de domingo, presenciar a grandiosidade de sua obra e tomar umas cachaças durante a inauguração.
Era pleno período de seca. O sol estava muito quente. O vento era geral. Nem sequer havia o menor sinal de chuva. As chuvas só viriam uns quatro meses mais tarde.
Então ele pediu silêncio aos amigos e disse:

“Vejam este Deus que alguns de vocês dizem que existe, se este Deus existisse mesmo seria um tremendo vagabundo e incompetente. Se ele existe e tiver alguma competência então que mostre em cima desse tanque. Mas eu digo em voz alta e desafio o céu e a terra. Se Deus existe mesmo, ele é incapaz de encher este meu tanque de água!”

Coincidência ou não, no mesmo dia, embora no mais absoluto período de seca, uma nuvem preta formou-se em cima da roça do homem. O vento parou de repente. Todos pressentiram que alguma coisa estranha estava na iminência de acontecer. E aconteceu. Uma chuva torrencial caiu, quase que somente em cima da roça do homem, encheu o tanque dele, e o destruiu completamente!

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes)

2007-10-19

História de Irecê - A chegada dos primeiros habitantes

No ano de 1877, chegaram a Irecê os primeiros habitantes, depois dos índios. Foram eles: Antônio Alves de Andrade , Hermógenes José Santana, Sabino Badaró, Joaquim José de Sena, Deoclides José de Sena, José Alves de Andrade e Benigno Andrade, entre outros. Eles encontraram muita água, caça e terrenos férteis, requisitos básicos para a sobrevivência deles.

Estes moradores habitaram inicialmente embaixo de uma quixabeira secular, que se encontra até os dias de hoje, na Av. Tertuliano Cambuí, no quintal de dona Nita. Depois construíram suas casinhas de enchimento, desmataram parte das terras e começaram a desenvolver a agricultura e a pecuária.

Por volta de 1900, os herdeiros dos terrenos, entre eles Martiniano Marques Dourado e Clemente Marques Dourado, descendentes de portugueses, chegaram a Irecê. Estes cidadãos e muitos outros promoveram o desenvolvimento de Irecê, produzindo milhares de arroubas de algodão, criando centenas de cabeças de gado e trazendo produtos de fora para serem vendidos entre os habitantes locais.

(Fonte: obras do escritor Jackson Rubem: Irecê - História, Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes)

2007-10-18

História de Irecê - o primeiro comércio das terras

Em algumas postagens resumidas escreveremos sobre a História de Irecê, com base nas informações constantes no livro "Irecê: História, Casos e Lendas", do escritor Jackson Rubem.

É preciso voltar nossa mente para uma época longínqua, a fim de conhecermos um pouco mais da História de Irecê. Nesta postagem falaremos do primeiro comércio das terras da cidade que chegou a ser conhecida nacionalmente como "Capital do Feijão" e "Capital da Mamona".

No ano de 1624 a Bahia começou a ser invadida pelos holandeses. Naquela época um homem se destacou, porque lutou bravamente contra os invasores. Chamava-se Antônio de Brito Corrêa, pai de Antônio Guedes de Brito.

Antônio Guedes de Brito residia em Morro do Chapéu, desde o ano de 1663 e carregava no sangue a valentia do pai. Em sua época a região do Rio São Francisco vivia atormentada por bandidos, mamelucos e negros aquilombados.

Incumbido pelo rei de Portugal para pacificar a região do São Francisco, Antônio Guedes de Brito entrou em ação e em pouco tempo trouxe de volta a paz em toda a região. Como recompensa o rei lhe deu uma sesmaria remuneratória de 160 léguas de terras que abrangia a área de terras de Irecê e de diversas outras cidades da região, transformando-o no maior latifundiário de toda a Bahia.

O Conde da Ponte, João de Saldanha da Gama Mello Torres Guedes de Brito e a Condessa da Ponte D. Maria Constança de Saldanha Oliveira e Souza, desmembraram, no dia 21 de fevereiro de 1807, a sesmaria remuneratória. Retiraram da grande sesmaria uma porção de terras que denominaram Barra de São Rafael e venderam para Filipe Alves Ferreira e Antônio Teixeira Alves, pela quantia de 1.200$000 (um conto e duzentos mil réis).

Barra de São Rafael era um latifúndio gigantesco, por isso foi desmembrada. Do grande latifúndio retirou-se uma porção de terras denominada Lagoa Grande que foi vendida a Joaquim Alves Ferreira, Joaquim Gomes Pereira e Domiciano Barbosa Pereira, os quais venderam para João José da Silva Dourado em 29 de Agosto de 1840.

Podemos afirmar que 21 de fevereiro de 1807 foi um marco para a história de Irecê, porque naquele ano ocorreu o primeiro comércio das terras de Irecê. Depois desta data a outra mais importante foi 29 de Agosto de 1840, ano em que João José da Silva Dourado comprou uma porção de terras desmembrada da Barra de São Rafael, com a denominação de Lagoa das Caraíbas ou Brejo das Caraíbas.

(Fonte: Irecê - História, Casos e Lendas; Irecê - Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê - A Saga dos Imigrantes; obras do escritor Jackson Rubem.

2007-10-17

Relação dos municípios do Território de Irecê - Estado da Bahia

Segundo informativo do Governo da Bahia, os Territórios de Identidade emergiram da sociedade civil na busca de um novo recorte espacial que valorizasse a identidade e o pertencimento de sua população como elementos fundamentais na construção de um novo modelo de desenvolvimento.

O Território de Irecê é composto seguintes Municípios:

  • América Dourada
  • Barra do Mendes
  • Barro Alto
  • Cafarnaum
  • Canarana
  • Central
  • Gentio do Ouro
  • Ibipeba
  • Ibititá
  • Ipupiara
  • Irecê
  • Itaguaçu da Bahia
  • João Dourado
  • Jussara
  • Lapão
  • Mulungu do Morro
  • Presidente Dutra
  • São Gabriel
  • Uibaí
  • Xique-Xique

Acredito que este tipo de política adotado pelo governo Jacques Wagner (PT), na divisão da Bahia em territórios, visando desenvolver o território como um todo, é mais democrático do que a política que olhava para uma cidade, em detrimento das demais.

Os indicadores do território de Irecê, por exemplo, mostram que Irecê tem um potencial imenso, mas que é preciso que o Governo olhe com certa urgência para nossas deficiências.

Indicadores do Território de Irecê

No mapa de Territórios de Identidade do Estado da Bahia, composto por 26 territórios, Irecê é o território número 01 e a Metropolitana de Salvador é o o território número 26.

Veja abaixo alguns indicadores do Território de Irecê:

Área (Km2) = 25.670
Total = 381.535

População

Urbana = 223.664
Rural = 157.871

Saneamento Básico (% domicílios)

Abastecimento de água = 43
Esgotamento sanitário = 8,4

Rendimento Familiar Per Capita


Até 1 salário mínimo = 31,0
Mais de 1 a 5 salários mínimos = 15,4
Mais de 5 salários mínimos = 2,1
Sem rendimento = 51,5

PIB

(R$ milhões)
Agropecuária = 232,00
Indústria = 88,81
Serviços = 576,71

Taxa de Analfabetismo


25,3

2007-10-16

Ouro enterrado em Irecê - 200 quilos em local desconhecido (I)

Ouro! Ouro! O homem sempre sentiu fascinado pelo metal amarelo, inoxidável e que brilha de forma encantadora.

No final do século XVII para o XVIII foram descobertas no centro sul do Brasil inúmeras jazidas de ouro, despertando a atenção da coroa portuguesa para as terras brasileiras. A região de Minas ultrapassou suas fronteiras, espalhando-se pelos atuais estados de Goiás e Mato Grosso, virando alvo de atração de migrantes.

Logo chegavam portugueses ansiosos por uma fortuna em ouro e aventureiros de todas as regiões do Brasil e escravos trazidos do Nordeste, surgindo inúmeras vilas como Sabará, Vila Rica de Ouro Preto, São João del Rey, entre outras.

Poucos anos após chegava ao Brasil o português Mateus Nunes Dourado, vindo a se instalar em Santo Antônio de Jacobina, onde trabalhava com garimpo.

Sentindo-se solitário procurou uma mulher, encontrando com D. Joana da Silva Lemos e teve o filho José da Silva Dourado, o qual se casou com Maria Custódia e teve os filhos Francisca, Maria Joaquina e João José da Silva Dourado.

João José da Silva Dourado, por volta do ano de 1850, atravessava a Estrada de Dona Joana, próximo a Irecê, junto com escravos que conduziam alguns animais carregados de mantimentos. Dois animais vinham desocupados, enquanto que um deles esforçava-se ao máximo, é que vinha transportando duas bruacas com quantidade de ouro estimada em duzentos quilos.

(continua)

Ouro enterrado em Irecê - 200 quilos em local desconhecido (II)

Quando o animal que transportava o ouro cansava-se, os escravos tiravam as bruacas e colocavam em um outro animal que estava descansado.

João José sentia-se cansado com aquela viagem e decidiu não mais seguir em frente. Voltaria dali mesmo para Macaúbas. Mas, e o que fazer com o ouro? Decidiu enterrá-lo em um trecho de seu imenso latifúndio que abrangia a área da Irecê atual, São Gabriel, Jussara, América Dourada, e tantas outras cidades.

Segundo descrições passadas de pai para filho ao longo das eras o ouro foi enterrado no alto de São Gabriel, trecho onde se via constantemente uma luz misteriosa. Segundo os mais experientes nestes temas, a luz só aparece onde há metal.

No final do século passado, Joaquim chamou seu irmão João para virem até as proximidades de Caraíbas arrancar o ouro que seu pai enterrara, pois sabia o local exato.

João topou na hora a proposta, mas disse que só arrancaria o ouro se uma bruaca ficasse para ele e a outra para Joaquim.

Joaquim que era extremamente honesto, disse que não, que o ouro deveria ser repartido com todos os irmãos, pois era uma herança de seu saudoso pai.
João insistiu que só arrancaria se fosse para dividir meio a meio entre eles dois: uma bruaca cheia de ouro para ele, João, e a outra para seu irmão, Joaquim.
Revoltado Joaquim desistiu e disse:

“Você é um usurável. O ouro vai continuar enterrado para um aventureiro qualquer arrancar.”
E morreu com o segredo do local exato onde está o ouro, que pertencia ao finado João José da Silva Dourado.

Extraído do livro: Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia, do escritor Jackson Rubem

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