2007-10-27

Câmara Municipal de América Dourada

Mesa Diretora da Câmara Municipal de América Dourada
Presidente:
Vereador David Dourado (PFL/BA)
1º Vice-Presidente:
Vereador Nil (PMDB/BA)
1º Secretário:
Vereador Tião (PFL/BA)

Parlamentares que compõe a Câmara Municipal de América Dourada

Vereador David Dourado (PFL/BA)
Vereador Gê (PTB/BA)
Vereador José Jacó (PFL/BA)
Vereador Júnior (PTB/BA)
Vereador Nenzo (PTB/BA)
Vereador Nil (PMDB/BA)
Vereador Osvaldo (Cau) (PFL/BA)
Vereador Ricardo (PFL/BA)
Vereador Tião (PFL/BA)
Vereador Vando (PFL/BA)
Vereadora Pureza (PTB/BA)

As informações da Câmara Legislativa de América Dourada estão divulgadas no site Interlegis. Informações sobre a História de Irecê nos livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral)

Informações históricas de América Dourada

América Dourada, cidade de povo trabalhador irmanados com Irecê, chegou a ganhar o título de Capital da Irrigação, na década de 90, por conta da farta produção de cenoura, beterraba e cebola entre outros produtos.

O município encontra-se no Território de Irecê, na microrregião de Irecê e na mesorregião Centro Norte Baiana.

Um fato histórico importante foi seu desmembramento de Irecê pela Lei Estadual nº 4.399, de 25 de fevereiro de 1985.

A lei foi publicada no Diário Oficial de 26 de fevereiro de 1985 e a instalação do município ocorreu em 01/01/1986.

América Dourada faz limite com os municípios de Morro do Chapéu, João Dourado, Lapão e Cafarnaum.

Segundo a relação dos municípios por território de identidade, América Dourada pertence ao Território de Irecê.

Dentre seus aspectos religiosos, a população do município tem por tradição a festa do padroeiro São Sebastião, no dia 20 de janeiro.

Aspectos econômicos e geográficos de América Dourada

Aspectos geográficos de América Dourada

  • Distância de Salvador: 420 km
  • Latitude Sul: 11º27´
  • Longitude Oeste:41º26
  • Altitude (m): 660
  • População no ano de 2007: 16.198 habitantes
  • Área: 744 Km2
  • Tipo climático: semi-árido
  • Temperatura média anual: média 22.0º C; máxima: 26.9º C mínima

Produto Interno Bruto - América Dourada 2004, segundo IBGE

  • Valor adicionado na agropecuária, R$ 12.752.000,00
  • Valor adicionado na indústria, R$ 2.009.000,00
  • Valor adicionado no serviço: R$ 20.106.000,00
  • APU: R$ 13.544.000,00
  • Impostos: R$ 323.000,00
  • PIB: 35.191.000,00
População no ano de 2004: 15.956 habitantes
  • PIB per capita: 2.205,00

Representação Política do município, 2004

O prefeito atual é Agnaldo Oliveira Lopes, eleito com 4.890 votos, ficando em segundo lugar Sinobelino Dourado Neto.

Pecuária 2005 - dados do IBGE
  • Bovinos - efetivo dos rebanhos 5.496 cabeça
  • Suínos - efetivo dos rebanhos 2.855 cabeça
  • Eqüinos - efetivo dos rebanhos 422 cabeça
  • Asininos - efetivo dos rebanhos 184 cabeça
  • Muares - efetivo dos rebanhos 147 cabeça
  • Ovinos - efetivo dos rebanhos 4.256 cabeça
  • Galinhas - efetivo dos rebanhos 4.565 cabeça
  • Galos, frangas, frangos e pintos - efetivo dos rebanhos 8.562 cabeça
  • Caprinos - efetivo dos rebanhos 6.300 cabeça
  • Vacas ordenhadas - quantidade (cabeças) 805 cabeça
  • Leite de vaca - produção - quantidade (mil litros) 453 mil litros
  • Ovos de galinha - produção - quantidade (mil dúzias) 20 mil dúzias
  • Ovos de codorna - produção - quantidade (mil dúzias) - mil dúzias
  • Mel de Abelha - produção - quantidade (kg) 326 kg
Informações importantes sobre os municípios brasileiros encontram-se no site do IBGE.
Informações preciosas sobre Irecê e Região você encontra nos livros do escritor Jackson Rubem.

A inclusão digital fortalece a democracia

A inclusão digital é essencial para que a população tenha conhecimento dos atos dos governantes, bem como um meio para que eles possam ser mais facilmente denunciados nos casos de corrupção, desmandos com a saúde, desleixo com a educação, etc.

Municípios do território de Irecê a exemplo de Lapão, América Dourada, Irecê, Ibititá e outras cidades, disponibilizam, mesmo que precariamente, acesso a internet. Além dos poderes públicos, existe o acesso pago através de particulares.

Acerca do tema inclusão digital, o IBGE publicou informações interessantes com base em uma pesquisa que ajudará bastante o governo federal na elaboração de políticas públicas:

Em 2006, a Munic fez um levantamento inédito da existência de planos ou políticas de inclusão digital nos municípios. A pesquisa identificou que em metade deles (52,9%) foi implantada uma iniciativa deste tipo. A preocupação com a inclusão digital esteve presente em 33 dos municípios com mais de 500 mil habitantes (91,7%), índice superior à média nacional (52,9%). Entre as grandes regiões, o destaque foi para o Sul (59,4%), seguido do Sudeste (57,9%) e Centro-Oeste (52,6%).

O Norte e o Nordeste ficaram abaixo da média nacional, com 35,6% e 48,4%, respectivamente. A pesquisa também investigou a implantação de pontos de inclusão digital, ou telecentros1, essenciais ao desenvolvimento de redes. Em todo o país, a rede pública municipal de ensino foi a que mais concentrou computadores em rede, visando a inclusão digital (61,8%). Dentre as prefeituras com plano ou política de inclusão digital, 45,7% optaram pela criação de Telecentros, e 40,7% disponibilizaram computadores com acesso à internet para uso do público em geral.

Em 2006, a administração pública de praticamente todos os municípios do país (99,9%) dispunha de computadores. Destes, 99,8% eram próprios, 4,0% cedidos, 1,8% alugados e 0,1% obtidos pelo sistema de leasing. O equipamento estava disponível em todos os 1.371 municípios com até cinco mil habitantes.

No Centro-Oeste todos os municípios também possuíam computadores, 99,6% deles próprios, 3,0% cedidos, 0,6% alugados e 0,2% através de leasing. Já o número dos que contavam com rede era menor: em 82,4% ela existia ligando setores da administração direta; 26,6% dos computadores a possuíam através da Intranet, e em 96,8% elas funcionavam por meio da Internet. Em todos os municípios com mais de 500 mil habitantes havia computadores em rede com acesso à Internet e 88,9% tinham Intranet.

A região Sul apresentou o maior percentual de municípios que contavam com os três recursos: computadores em rede (94,6%); com Intranet (38,2%); e com acesso à Internet (99,5%). Dos setores do poder público municipal ligados em rede, a Administração teve destaque, com 77,7%, seguida do próprio gabinete do prefeito (53,7%), da Educação (25,0%), Saúde (48,8%) e Assistência Social (45,0%). Apenas 6,5% dos municípios declararam ter a área de Segurança ligada em rede a outros setores.

2007-10-26

História de Irecê - Família Dourado - Casamento insólito entre pobre e rico

Era o ano de 1954. Chovia muito em Irecê e região. Naquele ano, Renar, uma moça muito bonita, da alta sociedade ireceense se aprontava para casar.

No mês de dezembro de 1954, Renar entrou em um Jeep, despediu-se da família e partiu rumo a Central. Passou pela ponte do Rio Verde sentindo a água tocar no joelho. Junto com ela ia a professora Dária, carregando Dermezinho nos braços. As duas eram guiadas por uma outra pessoa, bem experiente.

Horas depois chegavam Xique-Xique, que já possuía linha aérea, desde o ano de 1954. A professora Renar iria para Salvador, onde seria madrinha de formatura do noivo e posteriormente sua esposa.

Ao entrar no avião, a professora Renar ficou surpresa com as personalidades que ali se encontravam: Antônio Carlos Magalhães, Antônio Balbino, Juraci Magalhães, além de muitos deputados que tinham ido a Barra do Rio Grande, a fim de participarem de uma eleição suplementar.

A professora Renar Dourado e o saudoso médico Dr. Nilton Dourado,
um ireceense que ajudou muitas pessoas carentes.


Quando os políticos souberam que a passageira Renar era filha de Renério Dourado, chefe político de Irecê, desmancharam-se em atenções e a trataram como rainha.

Dias depois após a viagem, a professora Renar casou com o jovem médico Dr. Newton.

Após a lua de mel em Dias D’Avila, os noivos prepararam-se para retornar a Irecê. Se a ida para Renar foi uma maravilha, pois foi de avião ao lado de personalidades políticas da Bahia, o retorno não foi nada animado.

O casal pegou um ônibus em Salvador com destino a jacobina. Em Jacobina subiram na carroceria de um caminhão com destino a Gameleira dos Crentes. Sofreram bastante, pois chovia torrencialmente em toda região e o caminhão atolou diversas vezes e eles saltavam para desatolar, ficando completamente enlameados.

Clarindo, dono do caminhão, arranjou três animais em Gameleira dos Crentes, um para trazer a mala e os outros dois para trazer a professora Renar e seu esposo Dr. Newton.

Após um dia de viagem, chegaram em Irecê e se atolaram juntamente com os animais, no lamaçal existente na Av. Caraíbas.

Um acontecimento marcante na vida destas pessoas de famílias tradicionais em Irecê.

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(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral)

Empreendedores de Irecê - Edvaldo Lima de Oliveira - IREDIL (IV)

Continuação do III (conclusão)

Sua importância na sociedade ireceense

Desde quando chegou a Irecê, começou a ver o número de amigos crescendo a cada ano, tanto por ser ele um homem de fino trato e de facilidade com a comunicação, quanto por sua honradez no comércio e em tudo. Assim, além da confiança de seus colegas de comércio, Edvaldo também conservava um bom relacionamento com dirigentes do CDL’s - Câmara de Diretores Lojistas, Federações e Confederação, outras entidades locais e alguns políticos.

Em 22 de maio de 1992, foi eleito Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), de Irecê, mas seu reconhecimento por parte da comunidade ireceense não ficou só nisso. Assim, no ano de 1993, foi eleito o Lojista do Ano pelo crescimento de suas empresas, a política trabalhista adotada e os relevantes serviços prestados a comunidade.

Em 1994, foi eleito, mais uma vez, Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Irecê. Naquele ano os agricultores reivindicavam o prazo de prorrogação do plantio do feijão de 15 de dezembro para 31 de dezembro. Em seu discurso de posse, Edvaldo manifestou seu sentimento de que os agricultores precisavam se organizar para serem fortes e atuantes, e o mesmo devia fazer a CDL. Além disso, os governantes precisavam planejar uma política agrícola para nossa região.

Além de presidente da CDL, mais de uma vez, também conseguiu ser Diretor Distrital na primeira gestão do Presidente Deusdete Souza Ribeiro Júnior (1994-1996) que estava à frente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas.

No mês de junho de 1994, aconteceu, em Irecê, o 1º Seminário Regional do Movimento Lojista, reunindo um público recorde de 400 pessoas, de toda a microrregião, promovido pela Federação da Câmara dos Dirigentes Lojistas (FCDL). Em seu discurso, Edvaldo Lima, que sempre esteve preocupado com a falta de empregos no país, disse:

“Graças a esse trabalho, tem aumentado o número de filiados na nossa entidade. É preciso que os empresários do varejo se conscientizem da sua importante contribuição para a economia e oferta de emprego no país”.

1º Seminário Regional do Movimento Logista,
reuniu um público recorde de 400 pessoas da
microrregião de Irecê

Edvaldo Lima é aberto a parcerias com mecânicos da
região e promove cursos e palestras

Em um outro discurso seu, no dia 15 de outubro de 1995, contando com a presença de entidades como SINCOM, ACI, SECIR, voltou a falar sobre emprego:

“Sabendo da importância dos nossos seguimentos no momento em que o povo da nossa nação aclama por melhores dias, por um país mais sério e um novo Brasil, com uma economia estável onde todos possam trabalhar dignamente. E para que isto ocorra, precisamos nos fazer ouvir através das nossas entidades organizadas para reivindicar e lutar por uma Reforma Tributária, Reforma Fiscal e Administrativa. Só assim daremos um fim às distorções alocativas, sobretudo pela elevada carga tributária, sobre o fator de produção trabalho (salário)”.

Conhecedor dos problemas regionais de Irecê, Edvaldo nunca se deixou desanimar e sempre procurou mostrar aos empresários e à comunidade ireceense a face do esforço bem sucedido e da confiança renovada em cada estação chuvosa.

Em 1996, foi reeleito presidente da CDL, permanecendo na instituição até 1998, merecendo a confiança de todos pela seriedade e dedicação do seu trabalho à frente da instituição.

Os resultados profícuos em favor dos associados, a defesa constante do direito do lojista, a participação ativa em ações voltadas para o progresso de Irecê e Região, permitiram a CDL – Irecê destacar-se no cenário estadual e no panorama nacional.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) já estava com 140 associados e contava com serviços importantes como SPC, Ligue Cheque, Plano de Saúde (CDL_Sul América), Curso de aprimoramento para o lojista via Sebrae entre outros serviços, quando Edvaldo concluiu seu mandato.

Edvaldo sempre participa de iniciativas que promovem o progresso desta região e demonstra sua disposição em servir a comunidade, constituindo-se em um tijolo na construção do bem estar e da prosperidade de nossa região, da Bahia e do Brasil.

Além de ter participado tantas vezes da diretoria da CDL, foi o articulador e fundador do Sindicato Patronal (SINCOM), sendo seu presidente. Atualmente é também o presidente da APRIR - Associação dos Pecuaristas da Região de Irecê, uma entidade que está levando o nome de Irecê para diversas localidades do país.

O que pensa sobre vários assuntos

“Eu acho que a gente tem que ser persistente naquela filosofia do trabalho, da honradez, da transparência, da dignidade e do respeito, conservando o lema da sinceridade. Se a pessoa é coerente e respeitadora, é realmente um cidadão de verdade”.

“Eu acho que nós, como seres humanos, temos que lutar por nossa posição social: a posição de respeito. Eu acho que cada um, e não só Edvaldo, tem o direito de buscar seu espaço, de lutar, crescer e construir, desde que tenha determinação, tenha boa vontade”.

“A vida é uma dádiva que Deus nos dá”.

“Acredito piamente em Deus. Acho que Deus é o construtor do Universo”.

“A violência vem em conseqüência da falta de controle da natalidade, da falta de uma educação mais determinada neste país. Não adianta a classe pobre que não tem nenhuma condição de educar seus filhos continuar tendo cinco, dez filhos, botando crianças neste mundo sem nenhum controle, sem nenhuma educação, sem nenhuma saúde”.

“Eu gostaria que os políticos tivessem um pouco mais de respeito a si próprio, que preocupassem mais com o país, com a classe trabalhadora e cuidassem da classe pobre e da juventude. Grande parte deles defendem grupos e isso é perigoso, porque não estão botando o país em primeiro lugar. Tem que ter uma política séria em termo de educação e de controle da natalidade”.

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(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral), publicado em Inglês e Português.

2007-10-25

Empreendedores de Irecê - Edvaldo Lima de Oliveira - IREDIL (III)

Sua história como empreendedor

Uma das coisas que mais conservou em sua vida, desde sua meninice, foi o desejo de crescer, de ser alguma coisa na vida. Talvez um pouco estimulado por seus primos, que sempre tiveram uma certa condição financeira, enquanto ele, Edvaldo e seus pais, passavam por dificuldades.

“Então eu sonhava um dia poder trabalhar e crescer, para ganhar algum dinheiro e ajudar meus familiares e até a outras pessoas que não tivesse nenhuma condição. Eu queria mostrar que tinha capacidade, mas às vezes não tinha oportunidade”.

A Iteal vendeu centenas de tratores para a região, rendendo um bom lucro para Edvaldo por causa da comissão que ganhava por cada venda. 49 tratores foram vendidos por ele.

Auto Peças Oliveira, primeiro empreendimento
de Edvaldo Lima. Atualmente se chama Icopeças.
Construída em Irecê no ano 1985.

A IREDIL tem uma estrutura semelhante a de outras grandes empresas autorizadas da Bosch, montadas no Brasil

Mas a empresa, com o passar do tempo ficou desmotivada e de 1983 em diante, deixou de repor seu estoque, passando a haver na região uma grande procura por peças de tratores.

Já dotado de grandes conhecimentos na área de vendas e também com um certo capital juntado, Edvaldo achou que era hora de iniciar seu próprio negócio. Pediu demissão em 30 de novembro de 1983 e logo que saiu montou sua primeira empresa denominada, inicialmente Auto Peças Oliveira, a qual, posteriormente, passou a ser chamada Icopeças.

Sua empresa prosperou bastante e já no primeiro ano conseguiu comprar o terreno, onde funciona atualmente a atual Icopeças.

A região de Irecê estava contando com mais de cinco mil tratores, no entanto, havia uma carência enorme por qualquer serviço em bomba injetora ou de retífica de motores. As pessoas tinham que sair de Irecê e procurar serviços em Feira de Santana ou Salvador. Quando chegavam lá, tinham que esperar alguns dias, pois havia uma demanda muito grande e as empresas não davam conta rapidamente dos serviços.

Decidindo suprir esta carência, Edvaldo Lima estruturou a IREDIL, uma empresa moderníssima, com tecnologia de ponta, ou seja, máquinas de alta precisão, além de mão de obra especializada.

A IREDIL foi inaugurada em 30 de junho de 1989 e o empreendedor Edvaldo Lima se transformou no mais avançado empresário do ramo na região de Irecê. Não é sem motivo, portanto, que na inauguração da Empresa, alguns representantes da BOSCH, afirmaram que a estrutura da IREDIL em nada fica devendo as empresas autorizadas da BOSCH, montadas no Brasil.

A IREDIL é uma empresa especializada que oferece treinamento aos seus técnicos na própria BOSCH, onde se aperfeiçoam nos serviços de regulagem de bombas injetoras e auto elétrico em geral.

Os clientes da IREDIL, além de peças, equipamentos e um atendimento personalizado, tem a sua disposição, portanto, uma prestação de serviços avançada, regulagem de bombas injetoras e testes injetores, através da Bancada Diesel.

Aparelhos computadorizados facilitam os testes de motores de partida e alternadores, bem como o departamento de retífica de motores a gasolina, álcool e diesel, onde se encontra um conjunto de máquinas de alta precisão e peças originais com garantia da própria indústria.

“Foi acreditando no potencial de Irecê que fiz muitos investimentos em nossa região”.

“O segredo do meu sucesso é ser atencioso e responsável para com meus clientes e fornecedores, reduzindo a margem de lucros, oferecendo um bom atendimento e comercializando, na medida do possível, com preços abaixo do mercado varejista”.

“Os dois momentos mais marcantes de minha vida foi quando comprei meu primeiro carro, ainda funcionário e quando construí a sede própria da Auto Peças Oliveira, atual Icopeças”. “Sou fã incondicional desta região pelo seu potencial econômico”.

Aos 53 anos de idade, Edvaldo Lima Oliveira comanda o Grupo Oliveira, constituído por ICOPEÇAS – Irecê Comercial de Peças para Tratores Ltda, IREDIL – Irecê Eletro Diesel Ltda, LAPEL – Lapão Derivados de Petróleo Ltda, com sede em Irecê e o América Derivado de Petróleo Ltda, em América Dourado.

Mais do que um empresário bem sucedido, que enfrentou muitas dificuldades no passado e continua enfrentando na atualidade, sobretudo aquelas decorrentes das mudanças na economia do país, Edvaldo é uma pessoa extremamente humana, que trata seus funcionários com carinho e respeito e valoriza ao máximo a cultura de Irecê.

Dentro de suas possibilidades já patrocinou inúmeras obras e eventos, além de ter adquirido quadro, esculturas, livros e outros produtos oriundos da cultura sertaneja.

Continua na parte IV

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral), obra publicada em Inglês e Português.

Empreendedores de Irecê - Edvaldo Lima de Oliveira - IREDIL (II)

Sua história como balconista

Era bastante jovem, quando chegou a Irecê, em 1968. Recebeu convite do Sr. Nelinho da Silva Dourado, para trabalhar como garçom, em um barraco de madeira que ele tinha, ao lado da antiga rodoviária, onde hoje é o jardim que fica em frente ao Banco do Brasil. Posteriormente começou a trabalhar com Felipe Carneiro, onde permaneceu um bom tempo. Em seguida aceitou o convite dos empresários Cilvair Ferreira (in memoriam) e Múcio Silveira Lima (in memoriam), da Auto Peças Combate, de Jacobina, com filial em Irecê. E assim, começou a trabalhar com eles em abril de 1969, ficando até 1971.

Os patrões o admiravam e o elogiavam bastante, por ele ser um bom funcionário e uma pessoa dedicada e zelosa com acentuado senso de organização e honestidade.

Sentindo necessidade de continuar seus estudos, pediu transferência para Jacobina onde concluiu o colegial, hoje 2º grau. Um ano após, sua formatura, recebeu convite dos empresários Cilvair e Gildo Ferreira, que tinham montado uma concessionária da Volkswagen em Irecê (IVEL), para trabalhar na empresa.

Primeira foto à esquerda: no movimento hippie; no centro com a irmã Edileusa e na outra foto é o da esquerda, acompanhado do amigo Rogério Freitas.

“Pediram-me que viesse e aceitei com bastante afeição, pois tinha certeza que em Irecê, conseguiria o meu objetivo”.

Ele conta que ficou naquela empresa até o ano de 1976, até que um dia a estrela resplandeceu no horizonte e ele foi visitado, em sua residência, pelo saudoso Lourisvaldo Lopes Soares, que o convidou para trabalhar na Iteal – Irecê Tratores, onde permaneceu durante sete anos e meio(até dezembro de 1983), vendendo tratores.

“Moura, Dona Regina e Eraldo me receberam muito bem na Iteal. Dona Regina foi uma outra grande mãe que eu tive na vida, a minha segunda mãe. Ela me deu oportunidade e muitos ensinamentos. Minha estrela foi brilhando cada vez mais e eu ganhei muito dinheiro na Iteal, como vendedor, e fui investindo em propriedades e em tudo que fosse necessário para eu ter um futuro melhor”.

Continua no III

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral)

Empreendedores de Irecê - Edvaldo Lima Oliveira - IREDIL (I)

Edvaldo Lima de Oliveira é natural de Tapiramutá, cidade onde nasceu em 31 de janeiro de 1953 e lá permaneceu até os treze anos de idade.

Como não nasceu em “berço de ouro”, trabalhava em Tapiramutá, desde a infância, para ajudar a família. Foi engraxate de sapato, vendedor de água na cidade e barraqueiro no meio da feira. Fazia de tudo para ganhar alguns “trocados”, a fim de ajudar sua família e poder se aperfeiçoar nos estudos.

Saiu de Tapiramutá e foi morar em Piritiba. Por último chegou a Irecê, no ano de 1968, com 15 anos de idade.

Quando chegou a Irecê, o jovem saiu em busca de emprego. Estava disposto a trabalhar no que quer que fosse, mas a região estava passando por um período de grande escassez de empregos. A única opção que lhe restou foi fazer artesanato. Por meio desta atividade, ganhava algum dinheiro que ajudava a cobrir despesas decorrentes do seu estudo no Colégio da Fraternidade do professor Dermi, onde estudou da primeira até terceira série.

Devido à deficiência de estudo aqui, na época, seguiu para Jacobina, no ano de 1971. Naquela cidade, estudou e concluiu o ginásio e o Científico no Centro Educacional Deocleciano Barbosa de Castro. Após concluir, já não tinha condições de continuar seus estudos, pois teria que ir para Salvador. Preferiu retornar a Irecê.

Edvaldo sempre foi uma pessoa dedicada, dispendendo amor a tudo aquilo que faz. E assim, mesmo sem ter vocação para carreira militar, conseguiu graduação de Cabo, quando esteve no Exército.

Cidadão bastante culto, conhecedor das principais obras literárias e um grande leitor das obras de Jorge Amado, Edvaldo se mantêm sempre atualizado através da leitura diária de jornais e das grandes revistas editadas no país.

Os pais dele: José Carlos Oliveira, o empreendedor que percorria o Sertão, levando mercadorias de um lugar para outro, a fim de comercializar e a mãe Afra Lima de Oliveira, uma mulher dedicada ao trabalho, que somente aposentou depois de longos anos de atividade como empresária.

Além da boa leitura, da boa música, também sempre cultivou o gosto pelos esportes, principalmente futebol, não dispensando uma boa montaria.

Dentre as coisas que mais detesta está a falsidade, quando uma pessoa rouba a consciência de outra. Dentre as coisas que mais ama cita a vida, as pessoas.

“Eu sempre fui uma pessoa muito tímida, não gostava de muita brincadeira, ficava muito em casa e me esforçava muito no trabalho, procurando sempre buscar realmente um aperfeiçoamento, buscar mais informações”.

Edvaldo carrega dentro de si um coração bastante grato a Irecê, terra amada que o acolheu, juntamente com seus familiares e se considera um ireceense. Para ele, Irecê é uma cidade que proporciona a todos atingir seus objetivos no campo econômico, desde que trabalhem com determinação.

Dentre as pessoas que o ajudaram muito, no início de sua vida profissional, destaca Múcio Silveira Lima (in memoriam) que era sócio de Cilvair, da Auto Peças Combate, Lourisvaldo Lopes Soares (in memoriam), Milton Costa Moura (in memoriam), Eraldo e dona Regina, os quais lhe deram a oportunidade de conhecer um novo mercado que não conhecia, que era o de vender trator e peças.

“Muitas coisas mudaram para mim, principalmente no amadurecimento intelectual e espiritual. Aumentaram as amizades e o espaço na sociedade. Meu tempo agora é bem mais agitado e preenchido de responsabilidades”.

Continua

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral), publicado em Inglês e português.

Irecê - Casos de assombração - Os terríveis perus gigantes

Casos de assombração costumavam meter medo em muita gente, principalmente nos tempos passados. Hoje em dia nem tanto, porque as pessoas se acostumaram a ver o terror que é exibido na televisão, sem distinção de dia ou horário.

Havia em Irecê um senhor que passava a maior parte dos minutos que Deus lhe deu, xingando e resmungando. Era “desgraça” para um lado e “desgraça” o outro lado. Para ele todas as coisas eram “desgraça”. Dizia a desgraça do café, a desgraça da sogra, a desgraça da mulher, a desgraça dos parentes, a desgraça de suas roupas, a desgraça da chuva que não vinha...

Uma das desgraças da vida deste homem que mais o incomodava era o jegue. Ah, quantas vezes sentira vontade de matá-lo, esganando-o, e quantas vezes tentara sem conseguir!
Um dia o jegue causou-lhe tanta raiva, que ele xingou, xingou, xingou o equivalente a duzentos anos em menos de duzentos minutos de sucessivas desgraças e outros nomes infernais. Aí viu diante dele, como que surgidas do inferno, criaturas gigantes em forma de peru.

Os perus gigantes de cor preta aproximaram-se dele rapidamente, bicos abertos, como que querendo devorá-lo vivo. Um medo terrível se apossou deste homem, que tinha coragem até mesmo de enfrentar Deus, chamando-o para uma luta de facão.
Aí, pernas para que te quero! Correu, correu, correu... Sem sequer ter a idéia de montar na desgraça do jegue.

O homem passou quase uma hora correndo. Quando chegou a casa, estava com a língua de fora, semelhante aos cachorros, quando cansados. Logo que recuperou o fôlego, disse, ainda tremendo, o que lhe tinha acontecido, assombrando a todos que gostavam de xingar!

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem: Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral), publicado em Inglês e Português.

2007-10-23

Empreendedores de Irecê - Sandoval A. de Oliveira - Dodô do Prakasa (IV)

Uma valiosa experiência de vida

Convivendo com pessoas dos mais diversos tipos e enfrentando todo tipo de problemas, Dodô adquiriu um outro tipo de patrimônio, bastante valioso: a experiência. Tem, portanto, muita coisa para ensinar.

Ao longo de sua vida, aprendeu, por exemplo, que o pensamento exerce grande influência na vida das pessoas:

“O pensamento forte ou o pensamento positivo atrai as coisas que você quer. O pensamento negativo esparrama tudo”.

Uma outra lição de vida:

“Todo homem tem que ter um bom casamento, pensar no futuro, pensar que vai deixar os filhos amparados”.

Da direita, sentados: Juniô (gerente do Prakasa),
Leonandes Santana (prefeito de Central) e Dodô,
diretor proprietário do Supermercado Prakasa.

E ele teve um bom casamento com a professora Reni, que lhe deu quatro filhos: Sandoval Junior (Juniô), Acássia, Katia, que fez doutorado no Canadá e Reinival, que fez mestrado na Inglaterra.

“O meu relacionamento com meus filhos é muito bom. Dei a eles estudo e educação: a moeda de ouro. Em qualquer lugar, se a pessoa é educada, vai viver”. “O Junior é uma pessoa totalmente responsável. Só estava precisando de um empurrãozinho”.

Um dos conselhos que dá para quem já foi viciado, seja em cachaça, seja em drogas mais pesadas é que sigam o conselho de Nelson Gonçalves. O cantor, que durante muito tempo foi viciado em cocaína, mas abandonou o vício, dizia: “Não comece, não experimente”.

Coragem para recomeçar após grande prejuízo

Esta força para recomeçar sempre, sem nunca desistir de um objetivo traçado, sempre fez parte da vida de Dodô. E foi graças a esta energia que conseguiu superar os principais obstáculos de sua vida.

Quando candidato a prefeito de Xique-Xique, por exemplo, foi bastante explorado, mas conseguiu superar a isso. Outro período, o pior de todos, veio alguns meses depois, quando tomou um prejuízo incalculável. Nos anos de 1978/1979, houve uma enchente violenta em Xique-Xique e a água encheu três depósitos de mercadorias que ele tinha e estragou grande parte delas.

Na tentativa de salvar algumas coisas, Dodô se viu forçado a transferir o que sobrara para três localidades diferentes. Rio Verde, Central e Irecê, em um depósito da Embasa.

Como sempre foi apegado à religião católica, desde a época em que residia em Gentio do Ouro e participava das peregrinações feitas por Dona Ana Figueiredo Rocha, sua avó, Dodô pediu ajuda a Deus e ao menino Jesus, que é o padroeiro de sua casa, para que o ajudasse a sair daquele sacrifício violento.

E com o passar do tempo, recuperou o que havia perdido.

O Supermercado Prakasa


O Supermercado Prakasa, empresa fundada em maio de 1981, nasceu da Casa Oliveira, que comercializava gêneros no ramo atacadista. Nasceu pequeno, com apenas 25 m2, na esquina da antiga feirinha das frutas de Irecê e vem crescendo junto com a região. Já são 26 anos de existência e de esforço dos seus dirigentes, no sentido de atender bem os clientes e trabalhar nos melhores padrões de modernidade.

Atualmente o Prakasa possui 10 checkout e ocupa uma área de 1.200 metros quadrados. Comercializa mais de 20 mil itens, atendendo a demanda da região.

A empresa promove um grande benefício para a região de Irecê, oferecendo o que há de mais moderno na sua área e empregando dezenas de pessoas. Além disso, cumpre todas suas obrigações fiscais, pagando os impostos tanto para o município quanto para o estado.

Sentindo-se realizado como empreendedor, pois o Prakasa está entre os 10 maiores e melhores supermercados da Bahia, Dodô ainda tem muitos sonhos e muitas metas a serem alcançadas. Segundo ele, o sucesso está ao alcance de qualquer pessoa que saiba traçar seus objetivos e lidar com o dinheiro:

“É a moda do brasileiro. Ganha 2 e gasta 3, ganha 10 e gasta 12, esquecendo que tem de pagar as obrigações. É preciso a pessoa que ganha algum dinheiro saber dividir, economizar uma parcela do que ganha, para investimentos futuros. Eu sempre fiz isso”.

“Uma das coisas mais importantes em nossa vida é a evolução, esse acúmulo de experiências e conquistas que vamos reunindo com o passar dos anos. Há 21 anos o PRAKASA cresce e evolui. E todo o nosso crescimento tem o objetivo de proporcionar aos nossos clientes e amigos, enfim, à nossa sociedade uma vida melhor, mas prática, mais completa, mais feliz.

Evoluímos. E os frutos dessa evolução são os presentes que oferecemos aos clientes em retribuição à sua dedicação conosco: um melhor atendimento, uma loja mais ampla e confortável, facilidade no pagamento e a variedade de produtos que garante a todos o direito de escolher o que é melhor” – Sandoval Avelino Oliveira e Sandoval Avelino Oliveira Júnior.

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem : Irecê: História Casos e Lendas, 2ª Ed.; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral)

Empreendedores de Irecê - Sandoval A. de Oliveira - Dodô do Prakasa (III)

(continuação do Post II)

Primeiros estabelecimentos comerciais

Bastante econômico, Dodô conseguiu juntar a maior parte do dinheiro que ganhou vendendo várias coisas. Surgiu então a oportunidade de comprar uma bodega, em sociedade com Arnon Chagas. Era uma bodega pequena, onde tinha uma sinuca e ele ficou tomando conta, em Gentio do Ouro, até março de 1958.

Recebeu então o convite de Mano, seu irmão, que comprou uma loja em Xique-Xique, e o queria como sócio.

Durante a viagem, Dodô passou por Gameleira e ficou hospedado na pensão de dona Arminda. Foi visitar alguns parentes e amigos e se encontrou com Lívia, uma moça de família rica. Falou com ela de seus planos de montar negócio em Xique-Xique e ela perguntou quanto ele tinha de dinheiro para isso.

Dodô disse que tinha 100 contos, mas na realidade só tinha 30 contos. Lívia riu bastante dele e disse:

“Tá pensando que com 100 contos dá para você botar um comércio em Xique-Xique? Você está enganado!”.

Mas Dodô disse para ela:

“Eu vou para lá lutar, Lília”.

Dodô sempre foi um homem de luta, uma pessoa cheia de autoconfiança e do desejo de vencer.

“Se você pensar que vai ter alguma coisa na vida, e eu continuo até hoje pensando e conservar o pensamento que vai ter, você vai acabar tendo. O que vale na vida é o pensamento”.

“Eu ia levando a vida sabendo que futuramente teria alguma coisa e realmente tô dando emprego, tenho alguma coisa”.

Tempos depois, Cicinato, que morava em Gentio do Ouro, convidou seus irmãos Mano e Dodô, para botarem uma sociedade, em Xique-Xique, que se chamaria Irmãos Oliveira.

“A sociedade durou até 1968 e acabou porque eles achavam que eu passava a maior parte do tempo viajando e não trabalhava. Mas eu tinha muita independência e achava que devia administrar meu negócio por conta própria”.

Preocupado com a divisão um irmão questionou: “como vamos dividir?” e Dodô disse:

“É assim: tudo que tem 3 divide por 3. Dinheiro geralmente não tinha, porque o capital era pouco, então dividimos a mercadoria”.


Foto histórica: Em 9972 na inauguração do Polivalente em Xiquexique. Dodô é o 2º da direita, acompanhado de Juniô.

Dodô estava sozinho. Surgiu a oportunidade de comprar de Santino, em 1974, uma casa que ele tem até hoje, na esquina da antiga Feira das Frutas. Comprou por 30 mil cruzeiros e instalou um comércio que se chamava Casa Oliveira. Botou como sócio seu primo Nonô e a esposa dele. A sociedade durou quase dois anos.

“Quando eu vi que não dava para emprego, entrei no comércio”.

Por volta de 1978/1979, mudou para Irecê e se estabeleceu na Rua Antonio Carlos Magalhães. Na época, o supermercado já era o maior de Irecê e estava sob a responsabilidade do saudoso Marivaldo.

Morou alguns meses em Irecê, depois se mudou para Salvador, o que facilitaria o tratamento médico de uma de suas filhas, mas vinha constantemente a Irecê.

Com o crescimento do Supermercado Prakasa, decidiu retornar em 1984, comprou uma casa e ampliou o supermercado.

Carreira política e entidades

Bastante conhecido em todo o município de Xique-Xique, atuando em diversos segmentos e ocupando posições destacadas em algumas entidades, Dodô foi eleito vereador de Xique-Xique, no ano de 1966.

Candidatou-se, novamente, em 1970 e mais uma vez saiu vitorioso, ocupando inclusive a presidência da Câmara Municipal.

Seu grupo político sempre esteve ligado a Reinaldo Braga, dando-lhe apoio em todas as eleições. No ano de 1976, no entanto, decidiu lançar um candidato próprio, para disputar as eleições municipais. Dodô foi o escolhido, mas não queria de jeito nenhum. Depois de muita insistência, acabou aceitando.

Foi um período difícil para ele, porque a política brasileira é marcada por muita exploração. A eleição foi realizada e o adversário ganhou.

Dodô sempre foi uma pessoa dedicada a tudo que faz e bastante determinado na busca de seus objetivos. Como homem público, alcançou posições invejáveis: foi presidente e secretário da Câmara de Vereadores de Xique-Xique. Além disso, na Maçonaria alcançou a posição de venerável.

Mas quando veio morar em Irecê, decidiu se distanciar de todas as atividades relacionadas à política ou filantropia, passando a cuidar mais de suas atividades empresariais, o que lhe toma muito tempo.

“O político não tem ética não, só faz com interesse só para si”.

“Eu tenho uma certa cisma com a política. Costumo pensar: É Dodô você não vai dar pra política não, porque você não acha que o feio é bonito! O feio é feio, o bonito é bonito, bom é bom e torto é torto”.

“O Brasil é um país muito grande, mas os políticos não estão pensando realmente no desenvolvimento do país, que não tem terremoto e é muito viável. O Brasil tem muito futuro, só depende do governo”.

Lembrando do passado, Dodô cita políticos que ele admirou muito, entre os quais Juscelino Kubitscheck, porque além de construir Brasília era um homem merecedor de respeito. O outro foi Getúlio Vargas.

(Continua na postagem IV)

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem : Irecê: História Casos e Lendas, 2ª Ed.; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral)

2007-10-22

V Semana Estadual da Saúde Bucal no Território de Irecê

Segundo o Dr. Jair Ferreira, diretor da 21ª Dires (Diretoria Regional de Saúde), a Bahia conta com o pior índice de cobertura de saúde bucal do país, por conta de descaso de governantes anteriores.

No interior do estado, as coisas ainda são piores, por isso haverá uma intensificação de ações voltadas para a saúde bucal, no dia 25 de Outubro, dia do dentista.

Dr. Jair pede que todos os municípios se mobilizem em torno do tema "Saúde bucal na qualidade de vida", promovendo palestras e campanhas educativas nas escolas. São 19 municípios e uma população estimada 340.456 habitantes.

A Associação Brasileira de Odontologia, na Regional de Irecê, promoverá palestras importantes e fará exame bucal, fazendo um trabalho preventivo de diagnóstico do câncer bucal.

A população receberá folderes e panfletos educativos. Iniciativas deste tipo são louváveis e alegram tanto o brasileirinho pobre, quanto o brasileiro adulto que está precisando de assistência dentária e é merecedor disso.

História de Irecê - Criação do Município

O título de fundador de Caraíbas é atribuído a Aristides Rodrigues Moitinho, que juntamente com Teotônio Marques Dourado Filho e com o Cel. Terêncio Dourado, chefe de polícia da Bahia, conseguiram criar em 1906 um distrito de Paz de subdelegacia de Polícia de Morro do Chapéu, com a denominação de Caraíbas.

A criação do município de Irecê foi revogada, por força do Decreto Lei Estadual 7.479, assinado em 8 de Julho de 1931, no Palácio do Governo, por Arthur Neiva – Bernardino José de Souza.

Irecê voltou a ser o que era antes: uma simples vila de Morro do Chapéu.

Irecê continuou sendo vila de Morro do Chapéu até a assinatura do Decreto Lei Estadual, nº 8.452, de 31 de maio de 1933, assinado no Palácio do Governo por Juracy M.M. Magalhães.

31 de maio de 1933 é a data em que se comemora o aniversário de Irecê, pois nesta data o lugar saiu da condição de vila.

Houve a instalação do município, foi feito o primeiro orçamento municipal e Irecê conquistou em definitivo plena autonomia político-administrativa.

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem : Irecê: História Casos e Lendas, 2ª Ed.; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral)

Empreendedores de Irecê - Sandoval A. de Oliveira - Dodô do Prakasa (II)

Buscando oportunidade no Rio de Janeiro

(continuação de I)

Quando completou 21 anos de idade, cheio de vontade de trabalhar, prosperar na vida, Dodô percebeu que em Gentio do Ouro não tinha futuro para ele. Assim, no ano de 1957, partiu para Xique-Xique. Chegando naquela cidade, pegou um vapor e passou 11 dias viajando até chegar em Pirapora, Minas Gerais. Depois pegou um trem Maria Fumaça até Belo Horizonte, e mais outro trem até a Estação D. Pedro II, no Rio de Janeiro.

Imaginava que tão logo chegasse ao Rio de Janeiro, encontraria um bom emprego, pois tinha uns primos morando lá, o que facilitaria bastante. Mas as coisas não saíram como ele imaginava, e após cansativas buscas por emprego, sem conseguir nada, decidiu voltar para o sertão, deixando lá Arnon Chagas.

Soube que tinha um caminhão em São Cristóvão que carregava a revista Cruzeiro para Campina Grande e cobrava 100 cruzeiros, naquela época. Foi procurar o caminhão e lhe disseram que no dia 30, daquele mês, dois rapazes chegariam com um caminhão e retornariam para Feira de Santana.

Dias depois, Dodô chegou a Feira de Santana, após uma longa viagem do Rio de Janeiro até aquela cidade. Ficou ali, na expectativa de encontrar algum transporte de volta. Por sorte, encontrou com Genário, de Ibititá, o qual lhe disse: “Eu lhe levo até Ibititá, chegando lá a gente ajeita”.

Viajou de volta para o sertão, em companhia de Genário. Logo que chegaram em Ibititá, Genário ligou para o correio de Ibipeba e conversou com Turíbio Santos, o então prefeito de Gentio do Ouro.

Turíbio pediu a Genário que arranjasse um cavalo para Dodô, para que ele viajasse até Lagoa Grande, onde se encontraria com ele.
Chegando a Lagoa Grande, Dodô encontrou-se com Turíbio e viajou de Jipe, junto com ele, até Gentio do Ouro, aonde chegou em 15 de abril de 1957, permanecendo lá, quase 1 ano.

A mudança, o concurso e a morte do pai

Dodô e seus irmãos foram morar na cidade de Xique-Xique, em março de 1958, deixando o pai e a mãe em Gentio do Ouro. Algum tempo depois, Dona Arminda Avelino de Oliveira também mudou para Xique-Xique.

Dodô passou um ano trabalhando por conta própria, quando então surgiu um concurso estadual para preenchimento de vagas para coletor. Na época, tratava-se de um emprego muito bom, pois era ligado ao governo do estado.

Da esquerda para Direita: Adelino Moreira, Rui Lopes,
cantor Nelson Gonçalves, Sandoval A. de Oliveira (Dodô) e Betinho.


Estava bastante animado com este concurso e até tinha esperança de passar. Conservando esta esperança, ele se sentiu mais disposto a enfrentar a longa viagem até Salvador, onde faria o teste.

Zé de Agrário, seu primo, que era dono de um caminhão, ao saber que eles, Dodô, Nonô e Vanderlino Rocha iriam fazer o concurso, ofereceu-lhes carona no caminhão, até Feira de Santana.

Eles aceitaram a carona. Saíram de Gentio do Ouro, chegaram a Ibipeba, depois a Canarana. Viajaram em cima da carroceria do caminhão e após dois longos dias de viagem cansativa chegaram a Feira a Feira de Santana.

De lá, Dodô pegou um ônibus para Salvador, onde fez o concurso. Percebeu que não tinha chance de passar, porque lia pouco. Além disso, tinha começado o ginásio, mas abandonou.

“Não tinha feito o ginásio, estava apenas começando. Aí eu incuti que queria o emprego. Estava doido por um emprego a qualquer custo fui fazer o concurso”.
Em vez de se desanimar com a derrota do concurso, Dodô decidiu que era hora de voltar a estudar. Matriculou-se no ginásio do Senhor do Bonfim, fazendo o curso a noite e trabalhando durante o dia.

Cinco anos depois de sua mudança para Xique-Xique, Dodô conheceu a professora Reni Maçal de Oliveira e se casou com ela. Tratava-se de uma professora, que já exercia a profissão há 3 anos, chegando a ser diretora de um colégio.
“Casei em 25 de maio de 1963 e tive muita sorte em minha vida ao lado de minha mulher, que sempre confiou plenamente em mim, dando-me liberdade para fazer o que queria, vender, comprar”.

Seu Corino que ficou sozinho em Gentio do Ouro, durante algum tempo, deixou aquele lugar e mudou-se para Xique-Xique, ficando perto da esposa e filhos. Faleceu naquela cidade, em 30/11/1971.

(continua na postagem III)

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem : Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral)

Empreendedores de Irecê - Sandoval A. de Oliveira - Dodô do Prakasa (I)

Começou vendendo água, lenha e bode

Sandoval Avelino de Oliveira, popular Dodô, é um exemplo para muitas pessoas, não só pela sua capacidade empreendedora, mas também por sua forte determinação e fé. Enquanto outras pessoas não conseguem, se reerguer depois de uma forte queda, Dodô, mais de uma vez, recomeçou quase do zero, enfrentando todos os obstáculos e se saindo vitorioso.

Dodô nasceu em Gentio do Ouro, terra de Corino Vitório de Oliveira, seu pai, e de Arminda Avelino de Oliveira, sua mãe. Ali viveu uma vida padronizada, com poucos recursos financeiros, principalmente depois falência do comércio de seu pai, deixando-os em uma péssima situação financeira.

Depois do fracasso do primeiro comércio, Corino ainda teve ânimo para colocar outro, desta vez para a venda de gêneros alimentícios, mas não tinha vontade de trabalhar atrás de um balcão. Entregou aos filhos, Dodô e irmão, a responsabilidade de cuidar da empresa.
Aos 14 anos de idade, bastante jovem, portanto, Dodô começou a trabalhar, como vendedor de água, lenha e bode, em Gentio do Ouro. Cheio de energia e disposição para o trabalho, enfrentava as dificuldades do dia a dia e o cansaço advindo deste tipo de atividade, porque tinha um objetivo em mente: juntar algum dinheiro e conseguir ser alguém na vida.
“Comecei a trabalhar cedo, porque já tinha aquela vontade doida de ter as coisas. Queria trabalhar muito, para no futuro ter alguma coisa, pois para a pessoa ter alguma coisa na vida tem que tentar”.
Montava em um jumento e andava seis quilômetros, carregando quatro carotes de água, para o Sr. Turíbio Santos. Dois carotes deixava na casa de sua mãe e outros dois vendia, para pessoas de maior poder aquisitivo, entre as quais Isaías Silva, que posteriormente veio a ser seu empregado, em Xique-Xique, carregando água para ele nos períodos de seca.

Pouco tempo depois, além da água, lenha e bode, passou também a vender o leite que era tirado das vacas que seu pai criava.

Depois desta atividade, já no ano de 1952 até 1955, começou a freqüentar os garimpos, indo com uma capanga e um martelo, a fim de procurar algum cristal. Algumas vezes conseguia e vendia para seu irmão mais velho, obtendo algum lucro. Isso o deixava satisfeito, pois estava fazendo o que mais gostava: trabalhar.

Mas para trabalhar na profissão de capangueiro, nome mais conhecido, ou faiscador, nome mais correto, Dodô caminhava 9 quilômetros para chegar ao garimpo, na mina de Sinhorim e caminhava mais 9 quilômetros para voltar a sua casa. Ao todo, percorria 18 quilômetros todos os dias.

Com esta atividade de capangueiro, conseguiu juntar algum dinheiro e planejar negócios mais lucrativos.

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem : Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral)

2007-10-21

Movimentação financeira de Irecê em 2006, segundo IBGE

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as quatro Agências Bancárias de Irecê realizaram as movimentações financeiras especificadas abaixo, no ano de 2006:

  • Operações de Crédito, 77.878.503,40 Reais
  • Depósitos à vista - governo, 4.122.130,72 Reais
  • Depósitos à vista - privado, 18.528.198,31 Reais
  • Poupança, 40.219.129,67 Reais
  • Depósitos à prazo, 25.716.199,42 Reais
  • Obrigações por Recebimento, 40.883,00 Reais
Esta estatística mostra o potencial econômico de Irecê, que mesmo vivendo em constante crises por falta de chuva no período certo, ainda assim tem crescido bastante.

Caso você queira conhecer a História de Irecê, desde a época dos índios mais primitivos que habitaram neste território até a nossa época, existem quatro livros escritos pelo pesquisador histórico e escritor Jackson Rubem:

  1. Irecê, História, Casos e Lendas
  2. Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia
  3. Irecê, A Saga dos Imigrantes
  4. Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral), publicado em Inglês e Português.

Empreendedores de Irecê - Paulo Freire (III)

(Continuação da postagem II)


Anos depois, o pai deste homem morreu. E o homem continuou vivo, lastimando seu estado financeiro, até que um dia, após mais uma decepção, decidiu acabar com sua própria vida. Olhou o pacote pendurado, subiu em um tamborete e retirou o pacote, disposto a tomar o veneno e se acabar de uma vez por todas. Mas sua surpresa foi grande: aquilo não era veneno, aquilo era uma fortuna em pedras preciosas!

O homem voltou a ser mais rico do que era antes e com a mudança de sua história, as pessoas tentam se reaproximar novamente. Diziam ao vê-lo: “Fulano, ha quanto tempo você está sumido! Eu gosto muito de você! Olha, eu tenho um filho para batizar e quero que você seja o padrinho.”

Outro dia vem o convite para uma festa muito badalada, em que as pessoas faziam questão de sua presença. E como ele estava demorando de chegar, uma pessoa vem e diz: “Olha, as pessoas estão esperando você, porque a festa não pode iniciar antes de sua presença. “

Este homem então convida um trabalhador e diz: “Você vai a festa me representar.” E então dirigiu-se ao guarda-roupa e pegou o mesmo terno que costumava usar quando era destacado e o colocou no cabide e disse para a pessoa que trabalhava com ele: “Olha você vai lá e vá segurando este cabide com o terno.” E o rapaz, foi a festa importante, levando o terno pendurado em um cabide. Quando ele chega, as pessoas perguntam: “E fulano, está todo mundo esperando aqui. E ele até agora nada, estamos atrasados.”

O trabalhador então disse-lhes: “Olha, ele não veio, mas mandou aqui o terno, porque o importante não é a presença dele e sim o que ele representa.”

Paulo Freire passou por transformações semelhantes ao do homem do terno. Hoje já não olha para títulos ou para riquezas. Vê as pessoas apenas como um homem ou uma mulher. Sua casa é freqüentada pelas pessoas mais humildes. E as casas que ele freqüenta são as de pessoas mais humildes. “Depois de buscar prazeres em bares e festas, de ser presidente de clube, percebi que dentro de mim havia uma enorme frustração, um vazio, um buraco. Com a lição que passei, aprendi a respeitar o ser humano, a ver Deus nas pessoas e hoje prego isso.”

“Eu acho que o problema social da nossa cidade, do nosso país, não é o problema do prefeito, não é o problema do governo, não é o problema do presidente. É um problema nosso. Se cada um de nós, que Deus tem dado condições, abrisse mais nosso coração e fossemos mais sensíveis aos problemas que acontecem na rua, nós poderíamos evitar muita marginalização, que hoje acontece em decorrência de nossa insensibilidade. Este é um problema meu, seu, nosso e de todos nós.”

O loteamento que leva o nome do grande sociólogo Paulo Freire, cresceu rapidamente com a construção da Igreja Batista Nova Esperança. Hoje contém mais de duzentas casas.

Quando seu proprietário o adquiriu, não tinha o menor interesse em construir ali uma igreja, mesmo porque a aquisição foi feita antes de sua conversão ao protestantismo. Seu interesse era construir ali a Fundação Paulo Freire. Os planos mudaram para melhor. Junto a igreja, foram construídas dez salas de aula que beneficiarão a crianças e adultos, independente de denominação religiosa: sejam católicos, espíritas ou protestantes, todos serão beneficiados, com cursos que vão da alfabetização à quarta série e cursos profissionalizantes de computação, corte de costura e música, entre outros.

(Fonte: livros do escritor Jackson Rubem : Irecê: História Casos e Lendas; Irecê, Um Pedaço Histórico da Bahia; Irecê, A Saga dos Imigrantes) e Brasileiros Pré-Cabralianos (Brazilians Before Cabral)

Empreendedores de Irecê - Paulo Freire (II)

(Continuação da postagem I)


Restaram-lhe apenas os móveis de dentro de casa e ele os vendeu e mudou-se para Brasília, no ano de 1987. Começou a trabalhar através de classificados, comprando produtos usados e trazendo para vender em Irecê. Chegando aqui, algumas pessoas lhe entregavam carro para ele vender em Brasília e depois pagar. Com os lucros destas operações, comprou dois lotes próximo ao Odete e construiu sua nova residência.

Teve a abençoada idéia de vender antena parabólica, suprindo uma grande deficiência no mercado, comercializando em um quartinho em sua casa. Posteriormente já com firma registrada, ganhou em 1992, o título de maior vendedor de antena parabólica da Bahia e o quarto colocado no Brasil, sendo então homenageado pela Santa Rita. A empresa começou a fornecer-lhe caminhões de antenas parabólicas, mesmo sem ele ter nenhum patrimônio ou garantia para cobrir o crédito.

Paulo prosperou bastante, vindo a possuir muito mais do que tinha antes, e os amigos reapareceram, assim como os convites para as festas. Um dia, ao chegar em casa, encontrou sua esposa bem arrumada, a qual disse-lhe que tinham recebido um convite para uma importante festa na cidade. E a mesma pessoa que o estava convidando, foi uma das primeiras a se afastar dele, em seu declínio financeiro. Fez então a mulher se desarrumar. Veio a sua mente a lembrança de um caso que seu avô, Filisbelino Miranda, costumava lhe contar. O caso se aplicava perfeitamente a ele, Paulo Freire:

Em certo lugar, um homem muito rico era sempre convidado para todas as festas e eventos importantes e sempre se fazia presente. E a sua presença sempre chamava a atenção dos presentes, pela beleza e luxo de seu terno, que se destacava de todos os demais. Logo que este homem chegava, as pessoas corriam e o abraçavam. Todos demonstravam amá-lo bastante.

Um dia este homem entrou em declínio financeiro, vindo a perder tudo que possuía. Então as amizades que tanto prezava, os amigos importantes que o convidavam para as festas, todos desapareceram. Já não era convidado para nada. Este homem entrou em estado de depressão, de isolamento, de angústia e de solidão. E o pai dele vendo aquele sentimento, aquela vida de desgosto e de amargura, disse-lhe: “Olha filho, não vale a pena viver deste jeito, é melhor acabar com a sua vida. Este conselho eu lhe dou.”

E o pai pegou um tamborete, subiu nele e amarrou um pacote em um caibro da casa, voltando a enfatizar: “não vale a pena viver deste jeito, isto não é vida, isto não é viver, você é um homem que está morto em pé.”

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